quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
Emissoras de rádio e TV tiradas do ar e jornais sem papel: 69 meios de comunicação fecharam na Venezuela em 2017 em meio a uma escalada de agressões contra jornalistas
Emissoras de rádio e TV tiradas do ar e jornais sem papel: 69 meios de comunicação fecharam na Venezuela em 2017 em meio a uma escalada de agressões contra jornalistas, denunciou o principal sindicato do setor nesta quarta-feira.A lista inclui 46 rádios, três emissoras de televisão e 20 jornais, detalhou o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP, em espanhol) em seu balanço anual.
Os meios audiovisuais fecharam após o vencimento de suas concessões para o uso do espaço radioelétrico, que a imprensa denuncia serem concedidas arbitrariamente.
Já os jornais sofrem com a escassez do papel, cuja importação e distribuição estão monopolizadas por uma corporação governamental.
| A maioria das 273 agressões ocorreu durante os protestos contra o presidente Nicolás Maduro, que deixaram 125 mortos entre abril e julho. |
Meios internacionais também se viram afetados. A cadeia CNN em Espanhol e as televisões colombianas Caracol TV e RCN foram retiradas da grade de programação das operadoras a cabo por ordem do governo.
Agressões e prisões de jornalistas
O SNTP registrou 498 agressões e 66 detenções contra jornalistas este ano, e atribuiu ao governo a “intenção” de “silenciar, a qualquer preço, o descontentamento pela cada vez mais crítica situação econômica e social”, com hiperinflação e escassez aguda de alimentos e remédios.
A cifra aumentou 26,5% com relação a 2016, quando foram contabilizados 360 ataques, detalha o relatório.
A maioria das 273 agressões ocorreu durante os protestos contra o presidente Nicolás Maduro, que deixaram 125 mortos entre abril e julho. Segundo o SNTP, 70% destas foram atribuídas a militares e policiais.
“Utilizando o braço e as armas da Guarda Nacional (militarizada) e as polícias regionais e municipais, a burocracia oficial tentou invisibilizar o conflito”, acrescentou.
A Relatoria para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos fez “um chamado urgente” este ano a restabelecer as transmissões das emissoras de rádio e TV “retiradas do ar”, e qualificou as medidas como um “castigo” por “uma linha editorial crítica”.
Maduro e funcionários de alto escalão se declaram vítimas de “uma campanha de desprestígio” em meios locais e estrangeiros, e, inclusive, de “propaganda de guerra”.
ABI
EDIÇÃO ANB
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