domingo, 29 de outubro de 2017
Apoio à democracia na
América Latina cai pelo quinto ano consecutivo, de acordo com o Latinobarômetro
Este ano, a pesquisa foi atrasada pela crise na Venezuela. Lagos comemora a oportunidade de analisar um país “quando está com febre alta”, mas advertiu que a situação em Caracas “fez muito mal para a região pelos problemas que esconde em outros países”. “Desde 2010, o apoio à democracia caiu oito pontos em média e os indiferentes aumentaram de 23% para 25% em apenas um ano. As pessoas se afastam dos governos e das ideologias. Também vemos uma enorme variação regional, porque temos 18 países, não uma região homogênea”, diz Lagos.
Somente em três países as pessoas estão satisfeitas com a democracia: Uruguai (57%), Nicarágua (52%) e Equador (51%). A Argentina é a quinta depois da Costa Rica, com 38%. Mas “vistos em conjunto, os indicadores revelam a deterioração sistemática e crescente das democracias da região. Os governos sofrem a mesma sorte, a cada ano os latino-americanos os aprovam menos. O que hoje é a média, antes era o mínimo. Não há indicadores de consolidação, mas indicadores de desconsolidação”, adverte o estudo. A desconfiança no governo atinge 92% dos brasileiros e 85% dos mexicanos.
O relatório destaca um cenário que pode parecer contraditório à primeira vista: a queda dos indicadores políticos e sociais coincide com um aumento generalizado dos econômicos. Cerca de 54% dos latino-americanos disseram aos pesquisadores do Latinobarômetro que seu dinheiro é suficiente para chegar ao fim do mês, dois pontos a mais do que em 2016. No topo estão os brasileiros, com 68% e, no último lugar, os venezuelanos, com 21%. A conclusão do estudo é que existe “uma dissociação entre dois mundos, o mundo da economia e o mundo do poder político”. “A economia vai bem para um lado e a democracia para outro. Não há relação entre elas, porque, embora metade da população tenha se beneficiado, a outra metade está apenas assistindo. A região é bipolar: há sucesso econômico e pobreza, o aspecto econômico avança e os valores despencam”, diz Lagos, para quem hoje, mais do que nunca, “a democracia não tem nada a ver com a economia”.
Crescimento econômico
não compensa desconfiança regional na política; apoio no Brasil é de 43%
Os latino-americanos estão cada vez menos satisfeitos com a saúde de suas democracias e, o que é pior, também acreditam menos nela como a melhor forma de governo. De acordo com o último Latinobarômetro, uma prestigiosa pesquisa regional que analisa 20.000 entrevistas realizadas em 18 países, o apoio caiu de 54% em 2016 para 53% este ano, a quinta queda consecutiva desde 2010, quando atingiu um pico de 61%. O relatório conclui que o declínio da democracia é lento e invisível “como o diabetes”. “Existem países que não são doentes terminais, mas sofrem de um diabetes democrático generalizado. Você não vê o mal, não há sintomas que chamem a atenção; mas se você não o tratar, acabará te matando”, diz a chilena Marta Lagos, diretora do Latinobarômetro, durante a apresentação do relatório na sede do BID em Buenos Aires.
Os latino-americanos estão cada vez menos satisfeitos com a saúde de suas democracias e, o que é pior, também acreditam menos nela como a melhor forma de governo. De acordo com o último Latinobarômetro, uma prestigiosa pesquisa regional que analisa 20.000 entrevistas realizadas em 18 países, o apoio caiu de 54% em 2016 para 53% este ano, a quinta queda consecutiva desde 2010, quando atingiu um pico de 61%. O relatório conclui que o declínio da democracia é lento e invisível “como o diabetes”. “Existem países que não são doentes terminais, mas sofrem de um diabetes democrático generalizado. Você não vê o mal, não há sintomas que chamem a atenção; mas se você não o tratar, acabará te matando”, diz a chilena Marta Lagos, diretora do Latinobarômetro, durante a apresentação do relatório na sede do BID em Buenos Aires.
Este ano, a pesquisa foi atrasada pela crise na Venezuela. Lagos comemora a oportunidade de analisar um país “quando está com febre alta”, mas advertiu que a situação em Caracas “fez muito mal para a região pelos problemas que esconde em outros países”. “Desde 2010, o apoio à democracia caiu oito pontos em média e os indiferentes aumentaram de 23% para 25% em apenas um ano. As pessoas se afastam dos governos e das ideologias. Também vemos uma enorme variação regional, porque temos 18 países, não uma região homogênea”, diz Lagos.
![]() |
| Um protesto contra o presidente Michel Temer, na última quarta-feira, em São Paulo. |
Entre os cidadãos que
menos apoiam a democracia como sistema de governo estão os brasileiros (43%) e
os mexicanos (38%). No topo da lista, mas positivamente, estão os venezuelanos,
com 78% de apoio. Como se explica isso? “Entendemos que é uma questão de
aspiração. Os venezuelanos estão em crise, mas defendem a democracia como a
melhor opção”, explica Lagos. Quando se trata de avaliar a saúde do sistema
atual, os números se invertem: apenas 22% dos venezuelanos se declaram “muito
satisfeitos” ou “satisfeitos” com a situação política e social. A curva de
satisfação dos venezuelanos não parou de cair desde 2010, quando atingiu 57% de
opiniões positivas, mas, apesar do que se possa acreditar, a Venezuela é mais
otimista do que o Brasil e o México. Este ano, apenas 13% dos brasileiros se
declararam satisfeitos, alinhados com os mexicanos, que mal alcançaram 18%.
Somente em três países as pessoas estão satisfeitas com a democracia: Uruguai (57%), Nicarágua (52%) e Equador (51%). A Argentina é a quinta depois da Costa Rica, com 38%. Mas “vistos em conjunto, os indicadores revelam a deterioração sistemática e crescente das democracias da região. Os governos sofrem a mesma sorte, a cada ano os latino-americanos os aprovam menos. O que hoje é a média, antes era o mínimo. Não há indicadores de consolidação, mas indicadores de desconsolidação”, adverte o estudo. A desconfiança no governo atinge 92% dos brasileiros e 85% dos mexicanos.
O relatório destaca um cenário que pode parecer contraditório à primeira vista: a queda dos indicadores políticos e sociais coincide com um aumento generalizado dos econômicos. Cerca de 54% dos latino-americanos disseram aos pesquisadores do Latinobarômetro que seu dinheiro é suficiente para chegar ao fim do mês, dois pontos a mais do que em 2016. No topo estão os brasileiros, com 68% e, no último lugar, os venezuelanos, com 21%. A conclusão do estudo é que existe “uma dissociação entre dois mundos, o mundo da economia e o mundo do poder político”. “A economia vai bem para um lado e a democracia para outro. Não há relação entre elas, porque, embora metade da população tenha se beneficiado, a outra metade está apenas assistindo. A região é bipolar: há sucesso econômico e pobreza, o aspecto econômico avança e os valores despencam”, diz Lagos, para quem hoje, mais do que nunca, “a democracia não tem nada a ver com a economia”.
AS INFORMAÇÕES SÃO DO
REPÓRTER FEDERICO RIVAS, DO EL PAÍS
EDIÇÃO DA AGÊNCIA
BALUARTE
Assinar:
Postar comentários
(Atom)
Postagens mais visitadas
-
Carlos Brandão e a mentira do ''governo municipalista'', uma invencionice familiar, um engodo para deixar os prefeitos de pi...
-
LEIA NA ÍNTEGRA O POEMA ‘METAFÍSICA EM ANGELINA CROW’ DA OBRA INÉDITA ODE TRISTE PARA AMORES INACABADOS DE AUTORIA DO ENSAÍSTA E POETA RIBAM...
-
A volta dos que não foram Em vistas das vagas aumentarem em mais de 9% nas câmaras que representam populações aci...
-
Os mais de 230 mil ribamarenses distribuídos nas áreas Limítrofes, Sede, Vilas e Zona Rural caem no debate das eleições a 19 meses do pleito...
-
"Os mandados [de busca da Operação Compliance Zero] de quinta-feira marcaram a mais recente de uma série de operações destinadas a reve...
-
A nudez despudorada POR FERNANDO ATALLAIA DIRETO DA REDA ÇÃ O Um grupo de mulheres vem tirando a roupa nas noites de São Luís ...
-
De toda a massa do eleitorado, três quartos (74,8%) estão concentrados nos dez estados mais populosos do Brasil: São Paulo, Minas Gerais, Ri...
-
Para a grande maioria dos ludovicenses que acompanhou nos últimos 7 dias a polêmica envolvendo o aviltamento imposto pela prefeitura de São ...
-
26% DAS CITAÇÕES, SEGUNDO O IPPI. WEVERTON ROCHA VEM EM SEGUIDA COM 23,4% E ROBERTO CRAVA 18,3% A pesquisa do Instituto consultou 1.500 elei...
-
Vereador Henrique Queen é o mais atuante em Ribamar, aponta pesquisa Por Fernando Atallaia Da Agência Baluarte atallaia.balu...
Pesquisar em ANB
Nº de visitas
Central de Atendimento
FAÇA PARTE DA EQUIPE DA AGÊNCIA DE NOTÍCIAS BALUARTE
Denúncias, Sugestões, Pautas e Reclamações: agencia.baluarte@hotmail.com
atallaia.baluarte@hotmail.com
Sua participação é imprescindível!
Denúncias, Sugestões, Pautas e Reclamações: agencia.baluarte@hotmail.com
atallaia.baluarte@hotmail.com
Sua participação é imprescindível!

0 comentários:
Postar um comentário