quinta-feira, 8 de junho de 2017
Tempos sombrios
Uma nuvem sombria paira sobre o horizonte dos brasileiros. Não bastasse a reforma da Previdência acabar com as perspectivas de aposentadoria da maior parte da população, a reforma trabalhista pretende tornar o caminho até lá ainda mais duro. Em discussão no Congresso Nacional, esse projeto de lei (PL 6787) é mais um retrocesso imposto por um governo que está construindo uma ponte para o passado. O que está sendo proposto é uma completa alteração nas relações de trabalho, enfraquecendo direitos, asfixiando sindicatos e a justiça trabalhista, e permitindo a superexploração em todos os níveis de atividades.
Por trás de argumentos nebulosos e omissões, o que a chamada reforma trabalhista revela são vestígios de uma sociedade escravocrata e de um liberalismo excludente, até hoje presentes no imaginário de parte do empresariado brasileiro. Esses empresários encontram em um governo ilegítimo, e na grave crise política e econômica que atravessamos, as condições ideais para fazer valer seus interesses.
A aprovação da terceirização em todas as atividades já era um prenúncio dos tempos difíceis para aqueles que dependem da venda de sua força de trabalho para sobreviver. A precarização que milhões de brasileiros já conhecem bem, trabalhando mais horas e ganhando até 30% menos para exercer a mesma função que colegas contratados, será ampliada para outros níveis de atividade.
A “pejotização”, a quarteirização, a redução de salários, o aumento
da jornada e a potencialização de acidentes são ameaças reais. Um
processo cruel de desumanização do ser social que trabalha, orquestrado
por um sistema pautado pelos interesses daqueles que detêm o capital.
Com a adesão entusiasmada de grande parte dos meios de comunicação, se amparam em um paralelismo desonesto com países cujo contexto social, político e econômico é bem distinto do Brasil. Foi o que aconteceu com a Espanha. Cinco anos após a reforma trabalhista no país, tem os menores salários da União Europeia, e assiste a um aumento brutal na desigualdade de renda.
Mentem ao dizer que as leis trabalhistas no Brasil estão ultrapassadas, omitindo o fato de que a CLT já sofreu mais de 500 emendas ao longo de sua história, respaldadas pela Constituição de 1988. Mentem ao dizer que a reforma vai gerar novos postos de trabalho. No entanto, isso só será possível com a retomada da economia.
Usam como exemplo de modernização, o chamado trabalho intermitente, que é um assalariamento disfarçado e desprovido de qualquer regulamentação, em que o empregado fica à disposição da empresa, sem horário pré-determinado, mas com a obrigação de atender a qualquer tempo. A Inglaterra, onde há mais de 1 milhão de trabalhadores nessa condição, já assiste às primeiras decisões judiciais contrárias aos chamados contratos de zero hora.
A reforma trabalhista ainda isenta de responsabilidade as grandes empresas que, por meio da terceirização, estimulam a exploração do trabalho em níveis degradantes e análogos à escravidão. Permite ainda a tarifação de danos, como a perda de um braço ou morte, possibilitando às empresas calcular o que é economicamente mais vantajoso, indenizar o trabalhador acidentado ou investir em prevenção e segurança.
O trabalhador brasileiro, o pequeno e o médio empresário, os empreendedores, os profissionais liberais já estão pagando o preço de uma grave crise econômica, alimentada em parte pela crise política e pela incapacidade deste governo em fazer a economia voltar a crescer. As reformas agravam esse cenário. Precisamos, com urgência, ter de volta o nosso horizonte, que permita a retomada do desenvolvimento brasileiro, com soberania e sustentabilidade.
Clovis Nascimento é engenheiro civil e sanitarista e presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros.
Empresários aproveitam crise para impor medidas contra trabalhadores
O que a chamada reforma trabalhista revela são vestígios de uma sociedade escravocrata e de um liberalismo excludente
Por Clovis NascimentoUma nuvem sombria paira sobre o horizonte dos brasileiros. Não bastasse a reforma da Previdência acabar com as perspectivas de aposentadoria da maior parte da população, a reforma trabalhista pretende tornar o caminho até lá ainda mais duro. Em discussão no Congresso Nacional, esse projeto de lei (PL 6787) é mais um retrocesso imposto por um governo que está construindo uma ponte para o passado. O que está sendo proposto é uma completa alteração nas relações de trabalho, enfraquecendo direitos, asfixiando sindicatos e a justiça trabalhista, e permitindo a superexploração em todos os níveis de atividades.
Por trás de argumentos nebulosos e omissões, o que a chamada reforma trabalhista revela são vestígios de uma sociedade escravocrata e de um liberalismo excludente, até hoje presentes no imaginário de parte do empresariado brasileiro. Esses empresários encontram em um governo ilegítimo, e na grave crise política e econômica que atravessamos, as condições ideais para fazer valer seus interesses.
A aprovação da terceirização em todas as atividades já era um prenúncio dos tempos difíceis para aqueles que dependem da venda de sua força de trabalho para sobreviver. A precarização que milhões de brasileiros já conhecem bem, trabalhando mais horas e ganhando até 30% menos para exercer a mesma função que colegas contratados, será ampliada para outros níveis de atividade.
![]() |
| Professores de escolas públicas poderão sofrer terceirização e ter salários rebaixados ainda mais. |
Com a adesão entusiasmada de grande parte dos meios de comunicação, se amparam em um paralelismo desonesto com países cujo contexto social, político e econômico é bem distinto do Brasil. Foi o que aconteceu com a Espanha. Cinco anos após a reforma trabalhista no país, tem os menores salários da União Europeia, e assiste a um aumento brutal na desigualdade de renda.
Mentem ao dizer que as leis trabalhistas no Brasil estão ultrapassadas, omitindo o fato de que a CLT já sofreu mais de 500 emendas ao longo de sua história, respaldadas pela Constituição de 1988. Mentem ao dizer que a reforma vai gerar novos postos de trabalho. No entanto, isso só será possível com a retomada da economia.
Usam como exemplo de modernização, o chamado trabalho intermitente, que é um assalariamento disfarçado e desprovido de qualquer regulamentação, em que o empregado fica à disposição da empresa, sem horário pré-determinado, mas com a obrigação de atender a qualquer tempo. A Inglaterra, onde há mais de 1 milhão de trabalhadores nessa condição, já assiste às primeiras decisões judiciais contrárias aos chamados contratos de zero hora.
A reforma trabalhista ainda isenta de responsabilidade as grandes empresas que, por meio da terceirização, estimulam a exploração do trabalho em níveis degradantes e análogos à escravidão. Permite ainda a tarifação de danos, como a perda de um braço ou morte, possibilitando às empresas calcular o que é economicamente mais vantajoso, indenizar o trabalhador acidentado ou investir em prevenção e segurança.
O trabalhador brasileiro, o pequeno e o médio empresário, os empreendedores, os profissionais liberais já estão pagando o preço de uma grave crise econômica, alimentada em parte pela crise política e pela incapacidade deste governo em fazer a economia voltar a crescer. As reformas agravam esse cenário. Precisamos, com urgência, ter de volta o nosso horizonte, que permita a retomada do desenvolvimento brasileiro, com soberania e sustentabilidade.
Clovis Nascimento é engenheiro civil e sanitarista e presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros.
Assinar:
Postar comentários
(Atom)
Postagens mais visitadas
-
LEIA NA ÍNTEGRA O POEMA ‘METAFÍSICA EM ANGELINA CROW’ DA OBRA INÉDITA ODE TRISTE PARA AMORES INACABADOS DE AUTORIA DO ENSAÍSTA E POETA RIBAM...
-
Sob a titularidade de Eliane Cardoso, o Natal de Araioses organizado pela SEMCULT promoveu um momento histórico que abrilhantou a cidade lev...
-
De acordo com a entidade, que atua no... A Transparência Internacional-Brasil publicou nesta quinta-feira(1) posicionamento contrário à in...
-
Líder expressivo da cena política e social de São José de Ribamar, o professor e gestor escolar Ivanildo Brito, filho da ex-vereadora Nélia...
-
O consultor de marketing, empreendedor e ativista social Rômulo Brandão, ícone do debate público ribamarense, falou à Editoria de Eleições d...
-
LITERATURA DO MARANHÃO EM LUTO: ÍCONE DA POESIA DO ESTADO, MORRE O POETA VIRIATO GASPAR, AOS 73 ANOSMorreu na madrugada desta quinta-feira(18), vítima de infarto, o poeta Viriato Gaspar. Ele era um dos ícones da poesia maranhense da década ...
-
DICA MUSICAL DO BLOG DO FERNANDO ATALLAIA PARA A NOITE DESTA TERÇA-FEIRA Ícone da Música Romântica Maranhense-MRM, Lairton lança novo clipe....
-
OPERAÇÃO MILITAR EM CARACAS E OUTROS ESTADOS VENEZUELANOS RESULTOU NA RETIRADA DO LÍDER DO PAÍS; GOVERNOS INTERNACIONAIS REAGEM À INTERVENÇÃ...
-
A nudez despudorada POR FERNANDO ATALLAIA DIRETO DA REDA ÇÃ O Um grupo de mulheres vem tirando a roupa nas noites de São Luís ...
-
PROPOSTA VISA REMANEJAR VOLUMES DE EXPORTADORES QUE NÃO CUMPREM METAS, COMO OS EUA, GARANTINDO QUE MAIS CARNE BRASILEIRA SEJA COMERCIALIZADA...
Pesquisar em ANB
Nº de visitas
Central de Atendimento
FAÇA PARTE DA EQUIPE DA AGÊNCIA DE NOTÍCIAS BALUARTE
Denúncias, Sugestões, Pautas e Reclamações: agencia.baluarte@hotmail.com
atallaia.baluarte@hotmail.com
Sua participação é imprescindível!
Denúncias, Sugestões, Pautas e Reclamações: agencia.baluarte@hotmail.com
atallaia.baluarte@hotmail.com
Sua participação é imprescindível!

0 comentários:
Postar um comentário