domingo, 11 de junho de 2017
Publicitário tenta resgatar, em
versos, estética de uma Geração que
marcou os anos 80 em São Luís em 'O Que Me Importa Agora Tanto', sua obra de estreia
POR FERNANDO ATALLAIA
Quando o jornalista Félix Alberto Lima entrevistou o poeta Ferreira Gullar para a edição nº 8 da extinta revista Parla, não se imaginava que ali, contido, havia um poeta entrevistando um dos seus. Hoje, passados 15 anos anos do encontro do repórter com Gullar, Félix lança obra onde tenta resgatar a estética literária de sua geração, através de poemas-recortes, flashes imagéticos e/ou achados poéticos que reclamam sensibilidade.
Quando o jornalista Félix Alberto Lima entrevistou o poeta Ferreira Gullar para a edição nº 8 da extinta revista Parla, não se imaginava que ali, contido, havia um poeta entrevistando um dos seus. Hoje, passados 15 anos anos do encontro do repórter com Gullar, Félix lança obra onde tenta resgatar a estética literária de sua geração, através de poemas-recortes, flashes imagéticos e/ou achados poéticos que reclamam sensibilidade.
Pertencente à Geração que influenciou uma década em São Luís, o publicitário, no livro, presta um
tributo à poesia praticada por seus coirmãos de andança literária. O lançamento
da obra era necessário. Na safra onde Félix Alberto Lima se insere, nomes como
Fernando Abreu, Celso Borges, além de Lúcia Santos e Antônio Carlos Alvim, estiveram colaborando com a argamassa à qual ele rende tributo até hoje.
Aquém dessa ambiência, 'O Que Me Importa Agora Tanto' (Editora 7 letras, Rio de Janeiro, 2015) carrega vestígios
do tempo presente. É contemporânea do hoje na rapidez dos acontecimentos e ganha
força na percepção acertada do poeta que se lança como um caleidoscópio em
favor captação de pormenores ou questiúnculas do Real. Versos minúsculos, alguns densos, outros já povoados de concepções anteriores expõem um artista em busca do fim literário, esforçando-se por canalizar, apreender estratos poéticos do cotidiano posto, entreposto, escorregadio. É o que, de forma clara, o leitor terá ao deguste.
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'O QUE ME IMPORTA AGORA TANTO' O publicitário Félix Alberto Lima: flashes poéticos inspirados na Poesia Marginal Brasileira da década de 70. |
A exemplo do que ocorre em ‘acerto de contas’ quando Félix Alberto Lima diz ''a terapia me fez remexer no ontem e agora o hoje fica para outro dia''. Essa e outras vociferações cotidianescas representam um ensaio do que pode vir a ser a poética do autor pelos anos vindouros. Ainda que tente manter proximidade dialógica com o interlocutor, o publicitário ainda sussurra, renitentemente, no campo dos slogans fortuitos. Herança de sua formação.
Oscilando entre o diletantismo e a verdade poética, 'O Que Me Importa Agora Tanto', todavia, é um lançamento-resposta à placidez provinciana presente. Pela poeticidade engajada que extravasa martelando entre a pulsão da Poesia Marginal Brasileira da década de 70 e as já conhecidas percepções da Ilha burguesa repleta de pseudopoetas.
Félix Alberto Lima tem a oportunidade de provar, a partir de agora, que não será um entre estes.
FERNANDO ATALLAIA É CRÍTICO LITERÁRIO DA AGÊNCIA DE NOTÍCIAS BALUARTE
atallaia.baluarte@hotmail.com
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Ual!!! Parabens!!!!
ResponderExcluirCleo
É uma crítica de alto nível, parabéns Fernando. O olhar de um poeta sobre outro poeta.
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