quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
'Durou cinco minutos', relata cartunista sobre massacre na 'Charlie Hebdo'
Liz Alderman
Em Paris (França)
Em Paris (França)
Era por volta das 11h30 e cerca de uma dúzia de jornalistas, incluindo os principais cartunistas do jornal, se juntou a ele para a reunião semanal regular para discutir os artigos que apareceriam na próxima edição. O dia deles já tinha sido produtivo: menos de duas horas antes, os editores publicaram um tweet de sua mais recente charge provocadora, um desenho de Abu Bakr al-Baghdadi, o líder do Estado Islâmico, desejando ao seu público um Feliz Ano-Novo e, "acima de tudo, boa saúde!".
Sem que soubessem, uma cena de terror estava transcorrendo à sua porta –uma que chamaria a atenção do mundo e provocaria novos temores por toda a Europa a respeito de um crescente choque de civilizações, entre os radicais islâmicos e o Ocidente.
| Imagem divulgada pelo jornal francês "Le Monde" mostra como o escritório da revista satírica "Charlie Hebdo" ficou após o ataque que matou 12 pessoas |
"Eles queriam entrar e subir", ela disse posteriormente à revista francesa "L'Humanité".
Empurrada para dentro, Coco disse que se refugiou sob uma mesa enquanto os homens entravam no saguão e seguiam para o balcão da recepção, onde um segurança que trabalhava ali há 15 anos, Frédéric Boisseau, estava sentado.
Segundo uma testemunha citada na imprensa francesa, os assassinos abriram fogo, matando Boisseau e disparando tantas vezes no saguão que algumas pessoas acharam que se tratava da queda de um andaime.
Momentos depois, segundo testemunhas, os homens subiram correndo as escadas, com suas metralhadoras prontas, e seguiram para a sala de reunião.
"Onde está Charb? Onde está Charb?", eles gritavam, usando o apelido amplamente conhecido de Charbonnier. Ao avistarem seu alvo, um homem magro de óculos, os homens miraram e atiraram.
| OS ACUSADOS "Onde está Charb? Onde está Charb?", eles gritavam |
"Durou cerca de cinco minutos", disse Coco, abalada e com medo. "Eles falavam francês perfeitamente e alegavam ser da Al-Qaeda."
Sigolène Vinson, uma free-lancer que decidiu vir naquela manhã para participar da reunião de pauta, achou que seria morta quando um dos homens a abordou.
Em vez disso, ela contou à imprensa francesa, o homem disse: "Eu não vou matar você, porque você é uma mulher, nós não matamos mulheres, mas você deve se converter ao Islã, ler o Alcorão e se cobrir", ela lembrou.
Depois", ela acrescentou, ele partiu gritando, "Allahu akbar, Allahu akbar!" [Alá é grande, Alá é grande].
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