LEALDADE NÃO É SUBMISSÃO: O GRITO DE INDEPENDÊNCIA DO SUL DO MARANHÃO
Recentemente, escrevi sobre o valor inegociável da lealdade na
política. A lealdade é, de fato, o fio condutor dos grandes estadistas, a
virtude que consolida alianças duradouras em prol do povo. No entanto, é
fundamental não confundirmos lealdade com submissão cega, nem acordos honrados
com cumplicidade a projetos de poder que desprezam a nossa gente.
Assistimos, neste momento, a uma grita ensaiada por parte do Palácio dos Leões e de seus fiéis escudeiros — como o ex-prefeito Sebastião Madeira —, acusando de "traição" o rompimento do prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral, com o governador Carlos Brandão. Contudo, sob a luz da realidade que sufoca a nossa região, pergunto: traição a quem?
O Ilusionismo de Pedra e Cal
Madeira, em seu discurso de "apoio incondicional", tenta nos convencer de que a instalação de uma "Sede Sul" e de uma residência oficial em Imperatriz são provas incontestes de amor e compromisso do governo estadual. Engana-se profundamente, ou tenta, de forma submissa, enganar os maranhenses. Como já tive a oportunidade de denunciar, essa obra faraônica é mero ilusionismo. É a maquiagem arquitetônica para a falta de investimentos reais e estruturantes na saúde que agoniza, nas estradas que escoam a nossa produção e na segurança das nossas famílias. Acreditavam os palacianos que, com um prédio suntuoso, comprariam a simpatia e o silêncio da nossa gente. Erraram o cálculo. O povo de Imperatriz e de todo o Sul do Maranhão tem memória, tem consciência crítica e não se deixa ludibriar por vitrines políticas artificiais erguidas com o dinheiro dos seus próprios impostos. "A verdadeira traição ocorre quando o governo transforma a locomotiva econômica do estado em um mero curral eleitoral, ignorando-a na mesa onde as decisões reais são tomadas."
A Reação de um Povo que Não se Dobra
Quando o núcleo duro do governo estadual, liderado por Marcus Brandão, impõe de cima para baixo a chapa do sobrinho Orleans Brandão — um nome que amarga rejeição astronômica na nossa região —, a verdadeira deslealdade já foi cometida contra o povo tocantino. O projeto que ali se instalou enxerga o Sul do estado apenas como um apêndice para ser visitado em vésperas de eleição, pautando-se exclusivamente por interesses familiares e de negócios, e não pelo mérito ou pela representatividade. Diante desse cenário de miopia e arrogância política, a decisão de Rildo Amaral de buscar novos rumos e selar alianças com outras forças oposicionistas não é, sob nenhuma hipótese, um ato de deslealdade. É, antes de tudo, um ato de sobrevivência política, um reflexo do recado das ruas e um grito de independência. É a recusa veemente em atrelar seu nome e o destino da sua cidade a um projeto familiar que nos ignora.
A verdadeira lealdade que se exige de um homem público, antes de qualquer governante de plantão, é para com a sua cidade e os seus eleitores. Aqueles que, como Sebastião Madeira, optam por defender o indefensável, o fazem por conveniência própria, trocando o protagonismo da nossa região por migalhas governamentais.
O Sul do Maranhão não precisa de esmolas. Precisa de respeito e de presença real do Estado. Que os poderosos de plantão anotem a lição que as urnas e as ruas começam a ditar: a arrogância não passa impune. O Sul do Maranhão não se dobra aos caprichos de uma dinastia. O Sul reage.
* Também ex-deputado federal e atuou como assessor especial de
4 presidentes
LEIA TAMBÉM:
0 comentários:
Postar um comentário