segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Pela primeira vez em anos, com o caso do Banco Master, críticas a abusos de poder do Supremo Tribunal Federal (STF) estão rompendo a bolha direitista e ecoando de forma menos tímida em setores da esquerda, do mercado financeiro e da grande imprensa. A tendência quebra uma lógica que vinha prevalecendo desde 2019: a de relativizar a gravidade da expansão dos poderes do tribunal como algo aceitável sob o argumento de defesa da democracia. A mudança ocorre após revelações recentes de que os superpoderes do STF estariam sendo usados não só para conter a direita, mas também para favorecer pessoalmente os próprios ministros. Toffoli trouxe o caso do Banco Master para o STF e impôs sigilo máximo dias depois de, em novembro, viajar ao Peru em jato privado com um advogado de investigado. A controvérsia se agravou com a revelação do contrato de R$ 129 milhões entre o banco e a esposa de Alexandre de Moraes e com a decisão de Toffoli de retirar da Polícia Federal a guarda das provas apreendidas. A reação aos abusos envolve até parlamentares de esquerda, que, mesmo sem mencionar diretamente ministros do STF, assinaram pedidos de investigação. Entidades do sistema financeiro, tradicionalmente silenciosas diante de controvérsias do Judiciário, divulgaram nota pública criticando interferências no Banco Central. Analistas e formadores de opinião de esquerda têm quebrado o padrão de defesa automática ao STF, e veículos da imprensa que confrontavam timidamente o Supremo publicaram editoriais mais severos.

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