quinta-feira, 9 de janeiro de 2020
09:39
| Postado por
Equipe Baluarte
|
CÂMARATUR
Viagens em missão oficial levam parlamentares aos quatro
cantos; relatórios apresentados são sucintos e burocráticos
Além das muitas regalias do mandato – carro, combustível,
funcionário, passagens, emendas parlamentares – um deputado também pode viajar
pelo mundo a custa do erário. São as viagens em missão oficial. Em 2019, a
grande maioria dessas missões, 77%, foi para o exterior.
Levantamento feito pelo Radar exibe números grandiosos: 220
deputados (que representam 43% do total da Câmara) estiveram em 92 cidades dos
quatro cantos do planeta. Em 365 missões, uma por dia. Entre gastos com
passagens e diárias, essa conta ficou em R$ 5,2 milhões.
Levantamento feito pelo Radar exibe números grandiosos: 220 deputados (que representam 43% do total da Câmara) estiveram em 92 cidades dos quatro cantos do planeta. Em 365 missões, uma por dia. Entre gastos com passagens e diárias, essa conta ficou em R$ 5,2 milhões.
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| Deputados da Comissão de Turismo em "missão oficial" no Estádio da Luz, do Benfica, em Portugal. |
Tem deputado que participou de oito viagens, que ficou mais
de 40 dias no exterior e, sozinho, consumiu mais de R$ 100 mil.
A pergunta é: qual o ganho para o país dessas viagens?
A pergunta é: qual o ganho para o país dessas viagens?
A Câmara exige muito pouco de retorno. Apenas um “relatório
circunstanciado” da viagem. Na maior parte das vezes, são relatos genéricos,
burocráticos e sucintos. Muitas e muitas vezes apenas a agenda dos
compromissos.
São encontros, seminários, visitas aos parlamentos
estrangeiros, empresas privadas e palácios que poderiam render mais. Mas tem
também viagens para verdadeiros redutos turísticos, como Fátima (Portugal), Las
Vegas (terra dos cassinos) e, claro, Nova York, o destino mais procurado.
O deputado viaja também a convite do governo e participa de
comitivas oficiais, caso dos ruralistas que passaram quase um mês com o comando
do Ministério da Agricultura em cidades como Tóquio, Xangai, Pequim, Abu Dabi e
Dubai, entre outras.
Ou acompanhar o grupo encabeçado por Rodrigo Maia para a
beatificação de Irmã Dulce.
Há quem viaje também a convite de empresas privadas. Se não
tiver incluída viagem na primeira classe, os parlamentares recorrem às suas
cotas da Câmara, também dinheiro público, para complementar. É chamado de
“upgrade” para classe executiva.
Evandro Éboli
Edição de ANB
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