sábado, 5 de outubro de 2019
BOLA DIVIDIDA
Partilha entre estados e municípios opõe Câmara e Senado; no Executivo, confronto é entre Bolsonaro e Paulo Guedes
Uma guerra surda envolvendo prefeitos, governadores, deputados, senadores e até integrantes do primeiro escalão do governo federal criou um inesperado obstáculo para a aprovação em definitivo da reforma da Previdência no Senado. No centro do conflito estão os R$ 106 bilhões que o governo espera arrecadar com o megaleilão do excedente da cessão onerosa do pré-sal, previsto para 6 de novembro.
A expectativa do governo era ver a reforma totalmente aprovada já na semana que vem no Senado. Mas os prazos regimentais jogaram a discussão para depois do dia 14 – e o debate pode se alongar ainda mais caso os poderes não cheguem a um consenso quanto à partilha dos recursos do leilão.
Dentro de cada um dos poderes há divergência. A cúpula da Câmara discorda da direção do Senado, enquanto no Executivo o confronto se dá diretamente entre o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e seu ministro da Economia, Paulo Guedes.
| Regras para repartição de valores arrecadados em leilões opõem Maia e Alcolumbre. |
O que se convencionou chamar de “questão federativa” fez parte do acordo entre as diversas instituições para garantir a votação da reforma. Originalmente, o acerto destinava 15% dos valores obtidos nos próximos leilões para estados (representados pelos senadores) e o mesmo percentual para os municípios (representados pelos deputados).
Os deputados, entretanto, já sinalizaram a intenção de aprovar um projeto de Lei redefinindo o percentual municipal para 20%, reduzindo a fatia dos governos estaduais para 10%, com o que os senadores não concordam.
Antes mesmo do encerramento da votação do primeiro turno da Previdência no Senado, lideranças partidárias da afirmaram ao presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP) que a segunda votação estava em xeque por causa da movimentação da Câmara.
Para destravar a votação e definir uma data, estes senadores pedem que no governo defina a questão editando uma Medida Provisória que garanta os percentuais pactuados. Informações de bastuidores dão conta de que a solução via MP tem a simpatia de Bolsonaro – porém enfrenta e resistência de Paulo Guedes.
Atritos no governo
Na primeira votação, o Senado derrubou as modificações propostas para as regras do abono salarial, o que intensificou a desconfiança de parcela dos deputados da base governista e fez com que Guedes ensaiasse uma espécie de vingança travestida de “compensação”.
Nas contas do governo, a manutenção do abono – pagamento de “14º” para quem recebe até dois salários mínimos de benefício – vai gerar uma perda de R$ 76 bilhões em relação à “economia” que a reforma supostamente tará aos cofres públicos. E a intenção de Guedes é recuperar esse recurso mordendo o dinheiro do leilão destinado a estados e municípios.
Diante do potencial explosivo da proposta, Bolsonaro tratou de abafá-la antes que viesse a público formalmente.
A partir daí, o governo passou a negociar outra possível solução com os congressistas, insinuando que o dinheiro dos leilões poderia ser usado também para emendas parlamentares. A ideia, entretanto, não foi bem recebida pelos presidentes de nenhuma das casas legislativas.
Com o impasse e as trapalhadas do governo, os partidos que fazem oposição à reforma da Previdência – por entendê-la como prejudicial aos direitos dos trabalhadores – devem ganhar mais tempo e também mais aliados na luta para alterar pontos do projeto.
BdF
Edição de ANB
Assinar:
Postar comentários
(Atom)
Postagens mais visitadas
-
De Vitória do Mearim a Viana, passando por Pinheiro, Penalva e Cajari, a Baixada Maranhense sofreu um duro golpe patrocinado pelo Governo do...
-
Após declarar oficialmente apoio à candidatura de Eduardo Braide para Governador do Maranhão (veja aqui https://www.agenciadenoticiasbaluart...
-
Da Baixada à Grande São Luís, a campanha de Pinto Itamaraty 25000 segue- a 19 dias da votação- consolidada no estado. São adesões recebidas ...
-
Após sucessivos golpes sofridos, tentativas de boicote, investidas eleitoreiras de pseudo líderes da direita, o ex-senador da República e ca...
-
A 24 dias da votação, grande parte dos moradores dos bairros urbanos de São Luís se prepara para votar em Ribeiro Neto 7777. A constatação a...
-
O RECADO DAS RUAS FOI DADO! O desfile de 7 de setembro deste ano deixou uma mensagem clara que ecoou por todo o Maranhão. De um lado, vimos ...
-
A TODO VAPOR: EM RETA FINAL DE CAMPANHA, RELEIÇÃO DE RUBENS JR SEGUE OVACIONADA E ABRAÇADA PELO POVOEntusiasmo, alegria esfuziante, adesões espontâneas e esperança na continuidade de um mandato engajado, participativo e popular. A partir de...
-
Atacado por pesquisas apócrifas, boatos famigerados, faniquitos e constatações risíveis, o único candidato legítimo da direita ao Senado pel...
-
Sob o slogan ‘O Federal das Comunidades’, Ribeiro Neto 7777 imprimiu ritmo intenso à campanha a 18 dias da votação que deve reconduzir o dep...
-
Putas são mais confiáveis que políticos Uma pesquisa realizada na... Uma pesquisa realizada na China, segundo a BBC Brasil, mostra que os ...
Pesquisar em ANB
Nº de visitas
Central de Atendimento
FAÇA PARTE DA EQUIPE DA AGÊNCIA DE NOTÍCIAS BALUARTE
Denúncias, Sugestões, Pautas e Reclamações: agencia.baluarte@hotmail.com
atallaia.baluarte@hotmail.com
Sua participação é imprescindível!
Denúncias, Sugestões, Pautas e Reclamações: agencia.baluarte@hotmail.com
atallaia.baluarte@hotmail.com
Sua participação é imprescindível!
0 comentários:
Postar um comentário