quinta-feira, 31 de maio de 2018
13:57
| Postado por
Equipe Baluarte
|
Estadão recorre de decisão de Lewandowski que mantém censura imposta por Sarney no caso Boi Barrica
O jornal O Estado de S. Paulo entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal
contra decisão do ministro Ricardo Lewandowski que manteve a proibição
de o jornal publicar informações no âmbito da Operação Boi Barrica
envolvendo o empresário Fernando Sarney, filho do ex-presidente José
Sarney (MDB-MA).
Em petição
protocolada na segunda-feira, a defesa do jornal pede que o ministro
reconsidere a decisão ou que o caso seja submetido à análise da Segunda
Turma do Supremo.
Lewandowski
não chegou a apreciar o mérito do processo ao negar o pedido no início
deste mês. Segundo o ministro, o instrumento legal usado na apelação
(recurso extraordinário) não é válido em casos de medidas cautelares
como as liminares. Ele determinou que o processo seja encaminhado à 12.ª
Vara Cível de Brasília para que julgue o mérito da ação “como bem
entender”.
| Fernando Sarney à direita: R$ 11,6 milhões em 2006. |
Ao
recorrer da decisão do ministro, o Estado alega que a manutenção da
censura afronta garantias e direitos assegurados pela Constituição
Federal, como a livre manifestação de pensamento e a liberdade de
imprensa. Os advogados também ressaltam a “estranheza” com a
“teratológica situação jurídica” a que se submete o jornal, que se acha
impedido de divulgar informações de “irretorquível interesse” do País.
A censura
diz respeito à publicação de gravações no âmbito da Operação Boi Barrica
que sugerem ligações do então presidente do Senado, José Sarney, com a
contratação de parentes e afilhados políticos por meio de atos secretos.
Na época, advogados do empresário Fernando Sarney alegaram que o jornal
feria a honra da família ao publicar trechos de conversas telefônicas
gravadas na operação com autorização judicial.
Boi na linha
A investigação que culminou com a
“Operação Boi Barrica”, que posteriormente foi rebatiza de Faktor, teve
início em 2006 quando o COAF (Conselho de Controle das Atividades
Financeiras) comunicou à Polícia Federal uma movimentação financeira
“atípica” no valor de R$ 2 milhões, nas contas correntes de algumas
pessoas físicas e jurídicas, entre elas o casal Fernando e Tereza
Cristina Murad Sarney.
| O honorável José: O responsável pela decisão liminar que censurou o jornal paulista em
julho de 2009 foi o desembargador Dácio Vieira do... |
Com as escutas telefônicas autorizadas pela Justiça e informações sobre a movimentação financeira, a PF abriu cinco inquéritos e apontou indícios de tráfico de
influência no governo federal, formação de quadrilha, desvio e lavagem
de dinheiro com as digitais do filho do ex-senador José Sarney.
Em um deles, a Polícia Federal diz ter
detectado vestígios de uma organização criminosa montada por Fernando
Sarney, que aproveitando-se da influência e do poder do pai, manipulava
licitações e desviava dinheiro de obras públicas.
AS INFORMAÇÕES SÃO DO JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO
EDIÇÃO DA AGÊNCIA BALUARTE
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