sábado, 31 de março de 2018
Relatório conclui que a automatização não
reduz o número total de postos de trabalho, mas sim os salários
Os robôs, os supercomputadores e os algoritmos vão acabar com o trabalho? Estamos prestes a entrar em um mundo pós-industrial em que o emprego será algo raro a que somente um grupo de privilegiados terá acesso? Essas perguntas são cada vez mais comuns pela revolução tecnológica que ameaça substituir as pessoas por máquinas. Mas, ao contrário da bem estendida ideia de que a era do emprego está chegando ao final, um estudo recente conclui que a automatização não reduz o número de postos de trabalho. Pelo contrário, ajuda a aumentá-los. O problema é que a crescente tecnicização também contribui à depauperação da classe média.
No artigo com o sugestivo título de Robocalypse Now. A maior produtividade é uma ameaça ao emprego?, David Autor, do Instituto Tecnológico de Massachusetts (o famoso MIT) e Anna
Salomons, da Universidade de Utrecht, analisam o que aconteceu em 19 países
nos últimos
35 anos. Ainda que o texto só se refira ao passado, os autores acreditam que suas
conclusões são válidas
também ao
futuro imediato.
“Não há
nenhuma razão que nos faça pensar que essa tendência irá mudar nos próximos anos. A nova revolução
tecnológica não
impedirá a
criação de
novos empregos. E continuará colocando a desigualdade como um dos grandes
desafios da sociedade”,
afirma Salomons, uma das autoras, de Boston em uma conversa pelo Skype.
A professora responsável pela matéria de Emprego e Desigualdade na Universidade de
Utrecht acredita que uma das principais descobertas de seu trabalho é
desmontar o mito de uma sociedade com desemprego maciço, um
temor que lhe parece “infundado”. “Isso é algo
que muitos economistas já intuíam, mas nós demonstramos com dados”, diz.
Os autores não negam o forte impacto do progresso no emprego e
admitem que os aumentos de produtividade fruto dos avanços
tecnológicos
ajudam a destruir empregos em determinados setores: basicamente, aqueles que são
diretamente afetados pela automatização. Mas, ainda que nessas indústrias
ocorram perdas líquidas de trabalhos, as poupanças
econômicas
causadas pela maior produtividade facilitam a criação de
postos em outros setores. Essa recolocação, entretanto, costuma ser com salários
mais baixos.
Assim, os autores calculam que se em 1970 as rendas de trabalho
significavam 66,2% do bolo dos rendimentos totais; em 2007 essa porcentagem
diminuiu a 62,7%. O processo de perda de riqueza dos trabalhadores continua em
ritmo acelerado e se agravou a partir deste século.
Esteban Moro, professor de Matemática na Universidade Carlos III de Madri e no
MediaLab do MIT, diferencia a tecnicização das últimas décadas, protagonizada pelos robôs, com
a atual segunda onda de automatização, baseada em algoritmos e inteligência
artificial. “Essa
revolução é muitíssimo
mais rápida.
E não tem
por que ter os mesmos efeitos sobre o emprego e os salários
que a anterior. O risco é que as mudanças sejam de tal velocidade que não dê tempo
ao mercado de trabalho de adaptar-se para formar trabalhadores com as
capacidades necessárias”,
explica.
Mas o que dá todos os indícios de continuar é o que Moro define como “esvaziamento das classes medias”, um processo de polarização em
que uma grande maioria de trabalhadores se vê presa a salários cada vez mais baixos; e uma minoria de mão de
obra superespecializada com habilidades adaptadas aos novos tempos que almeja
uma porção
crescente das rendas.
O pesquisador espanhol faz parte do grupo criado pelo MIT para analisar o
futuro do trabalho, onde especialistas de diversos âmbitos
estudam o efeito que a última revolução tecnológica terá em aspectos como os movimentos migratórios
entre regiões com indústrias em declínio – áreas
eminentemente rurais e com indústrias tradicionais – e florescentes cidades como San Francisco, com oferta de trabalho
adaptada às novas necessidades.
Duas linhas de pensamento
Nos últimos anos surgiram duas linhas de pensamento entre
os pesquisadores em tecnologia e emprego. Os primeiros defendem a chegada de
uma espécie de
Armagedon trabalhista, uma sociedade que será incapaz de empregar uma enorme camada da população. Daí
surgem iniciativas como a renda básica universal, a ideia de que, já que a
maioria das pessoas estará desempregada, o Estado deve assegurar-se de que
tenham o necessário para levar uma vida digna. E a necessidade de
que os novos instrumentos da mecanização incorporem parte das cargas que dificultam a
contração de
pessoas, com medidas como os impostos aos robôs.
A segunda ideia-força é a de que é impossível prever o que acontecerá no
futuro, mas assim como os caixas automáticos não acabaram com as agências bancárias; os avanços tecnológicos farão com que alguns empregos desapareçam e
reduzam-se ao mínimo, mas serão criados outros que agora é
impossível
sequer imaginar. E o saldo final pode até ser positivo. É desse lado do debate que está o
trabalho dos professores Autor e Salomons.
Os robôs, os supercomputadores e os algoritmos vão acabar com o trabalho? Estamos prestes a entrar em um mundo pós-industrial em que o emprego será algo raro a que somente um grupo de privilegiados terá acesso? Essas perguntas são cada vez mais comuns pela revolução tecnológica que ameaça substituir as pessoas por máquinas. Mas, ao contrário da bem estendida ideia de que a era do emprego está chegando ao final, um estudo recente conclui que a automatização não reduz o número de postos de trabalho. Pelo contrário, ajuda a aumentá-los. O problema é que a crescente tecnicização também contribui à depauperação da classe média.
![]() |
Funcionária no centro de dados do Google em The Dalles (Oregon, Estados Unidos). |
Carl Benedikt Frey, codiretor do Programa de Tecnologia e Emprego da
Martin School de Oxford e uma das pessoas que mais conhecem sobre esse assunto
no mundo, também opta pela segunda opção. “O
principal risco da tecnicização não é o desemprego maciço e sim o empobrecimento das classes médias,
tendência
que já começou há
tempos e que pode continuar nos próximos anos”, conclui.
AS INFORMAÇÕES SÃO DO REPÓRTER LUIS
DONCEL
EDIÇÃO DE FERNANDO ATALLAIA
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