terça-feira, 27 de março de 2018
20:40
| Postado por
Equipe Baluarte
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Funcionário do Burger King localizado em área nobre de SP identificou cliente negro como 'macaco' em cupom fiscal do lanche solicitado. Enquanto isso, outras atendentes gargalhavam. Universitário fez BO e disse que vai levar caso até as últimas consequências para que responsáveis sejam punidos
Um estudante universitário foi vítima de racismo em uma lanchonete da rede Burger King em São Paulo (SP).
Em um pedido de lanche feito na madrugada do último
sábado (24), em uma loja localizada na região de Moema, área nobre da
capital paulista, um funcionário da lanchonete identificou David
Reginaldo de Paula Silva como ‘macaco’ em cupom fiscal de R$ 38,80.
Na segunda-feira (26), a vítima dirigiu-se a uma
delegacia para realizar um Boletim de Ocorrência (BO) por injúria racial
para que a Polícia Civil identifique e puna o funcionário da loja que o
ofendeu ao escrever o nome do animal no lugar de seu nome no cupom
fiscal.
“Meu aniversário foi dia 19. Saí na sexta para
comemorar, e na volta fui com uma amiga diplomata à lanchonete para
comer algo. Vi no balcão um cupom de desconto. Fiz um pedido normal. O
atendente perguntou meu CPF, nome e anotou. E esperei chamar minha
senha. Foi quando vi ao lado da senha o nome ‘macaco’ e fiquei
assustado”, disse David, que tem 24 anos e estuda Relações
Internacionais.
O jovem relatou ainda que outras três atendentes
gargalhavam enquanto ele recebia o cupom que o identificava como
‘macaco’, mas mesmo assim procurou manter a calma e comer seu lanche.
David havia dado uma nota de R$ 50 para pagar R$ 38, 80 do lanche. Em
seguida, recebeu um troco de R$ 11,20 juntamente com o bilhete ofensivo.
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| David foi identificado como ‘macaco’ em cupom fiscal de lanche do Burger King |
“Não fiz escândalo. Liguei para meu pai e ele
sugeriu que eu guardasse o papel. Não questionei o atendente e também
não peguei sua identificação. Cheguei a comer dois pedaços e perdi o
apetite. Depois fui para casa”, contou o jovem.
Nas redes sociais, David divulgou o que aconteceu.
“O preconceito racial é uma ‘doença’ que deve ser eliminada da sociedade
brasileira. É inadmissível que em pleno século XXI, em 2018, ainda
possa acontecer esse tipo de atitude racista”, publicou o jovem no
Facebook.
Em entrevista ao portal G1, o advogado de
David afirma que pretende acionar o Burger King (BK) na esfera cível
para que a lanchonete seja responsabilizada a pagar indenização por dano
moral.
“Foi feito o BO de injúria racial, que prevê pena
de 1 ano a 3 anos de prisão”, disse o advogado Marcello Primo Muccio.
“Na quinta-feira (29), a amiga dele vai prestar depoimento sobre o fato.
Depois vou entrar com uma ação indenizatória. A princípio são essas as
providências”.
Em nota, o Burger King disse que está apurando o ocorrido e tomará “as medidas cabíveis”.
AS INFORMAÇÕES SÃO DO PRAGMATISMO
EDIÇÃO DA AGÊNCIA BALUARTE
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