quinta-feira, 28 de setembro de 2017
EUA, África do Sul e Brasil vivem ofensiva contra negros nas universidades
Retorno dos supremacistas brancos e fraudes em cotas raciais remetem ao episódio de Little Rock, ocorrido há 60 anos.
A cena de nove crianças negras escoltadas pelas Forças Armadas para poder cursar o Colégio Central, até então frequentado apenas por brancos, em Little Rock, nos EUA completou 60 anos nesta semana.O episódio conhecido como os Nove de Little Rock marcou a luta contra o sistema racista, após decisão da Corte Suprema de eliminar restrições a negros em todas as escolas estadunidenses. Seis décadas depois, manifestações racistas ainda chamam a atenção pública nas instituições de ensino do país.
Segundo a estadunidense Claudia De la Cruz, integrante do Popular Education Project, a recente insurgência de grupos racistas nos EUA tem levado a novos conflitos nas universidades.
"Um dos exemplos mais recentes foi na Universidade de Boston, onde os grupos supremacistas brancos se organizaram contra professores e estudantes que são anti-racistas, que têm protestado contra o racismo", contou.
![]() |
| Hazel Bryan Massery chega na escola Little Rock Central High School sob ataques de estudantes racistas. |
Conversamos com Vuyolwethu Toli, mestrando em ciências sociais pela Universidade de Rhodes na África do Sul, que explicou que episódios racistas nas universidades do país dele vêm acontecendo de forma mais sutil, mas fazem com que os estudantes negros não se sintam bem-vindos.
"Em 2008 teve um episódio na University of the Free State, ela é historicamente conhecida como uma instituição de africanos brancos e ricos. Houve um protesto de estudantes brancos, sobre uma das residências se abrir para acomodar mais estudantes negros Eles pegaram quatro faxineiros negros da universidade e fizeram eles beber urina", disse.
De acordo com Mikaela Nhondo Erskog, pesquisadora na Pan Africa Today, em Johannesburgo, África do Sul, as residências brancas segregadas ainda são bastante comuns nas universidades mais conceituadas do país, o que legitima discriminações diárias.
"Na Universidade de Stellenbosch, por exemplo, os estudantes negros tiveram que pedir para as instruções estarem em inglês e não africâner, que era a língua do governo do apartheid. Os estudantes brancos faziam protestos para conseguir manter sua cultura africâner, porque era parte de sua história e cultura, e minimizavam o problema", denunciou.
No Brasil, nesta semana, diversos alunos brancos do curso de medicina da UFMG, a Universidade Federal de Minas Gerais foram denunciados por fraudarem o sistema de cotas raciais. Sancionada em 2012 pela então presidenta Dilma Rousseff, a Lei de Cotas raciais foi criada como forma de combater a discriminação e promover inclusão.
Para a jornalista Luka Franca, feminista negra, é papel das universidades enfrentar as fraudes e protestos contra as cotas:
"É preciso ter políticas das instituições para coibir o racismo, que muitas vezes é feito de forma velada em banheiros, nas paredes das universidades. Acho que temos muita coisa para avançar, mas demos passos muito importantes", disse.
A estadunidense Claudia De la Cruz acredita que o atual contexto político mundial, possibilita uma importante oportunidade de disputa de discursos.
"Nesse contexto particular dos EUA há uma ponte de oportunidades para pessoas que tem consciência política levantarem histórias como a de Little Rock, mas não apenas isso como o movimento pelos direitos civis, os discursos de Martin Luther King e Malcolm X, para entender a conexão entre raça e classe, e aprofundar as análises nesse contexto", opinou.
Na cidade de Little Rock, uma cerimônia marcou o aniversário do episódio, contando com a presença de parte dos estudantes negros que protagonizaram o momento histórico na época.
As informações são da repórter Júlia Dolce
Edição de Simone Freire
Assinar:
Postar comentários
(Atom)
Postagens mais visitadas
-
No começo dos anos 2000 vieram à tona as mulheres do funk Inicialmente, elas limitavam-se apenas a dançar e participar dos clipes musicais, ...
-
LEIA NA ÍNTEGRA O POEMA ‘METAFÍSICA EM ANGELINA CROW’ DA OBRA INÉDITA ODE TRISTE PARA AMORES INACABADOS DE AUTORIA DO ENSAÍSTA E POETA RIBAM...
-
O cantor e compositor Lindomar Lins, ícone do Brega Brasileiro, concedeu na manhã desta quinta-feira(4) entrevista à Agência Tambor. O artis...
-
Natural de Codó, Gerude é autor de clássicos como ’Eu te Conheço Carnaval’, 'Tempo de Guarnicê' e ‘Jamaica São Luís’. Com 42 anos de...
-
O cantor e compositor Lindomar Lins, ícone do Brega maranhense, foi o entrevistado da edição nº 69 do podcast Garagem Alternativa, programa ...
-
De acordo com a entidade, que atua no... A Transparência Internacional-Brasil publicou nesta quinta-feira(1) posicionamento contrário à in...
-
São Luís (MA) – O cenário político maranhense se prepara para um embate centrado em mudanças profundas, com a pré-candidatura de Antonia Ca...
-
DICA MUSICAL DO BLOG DO FERNANDO ATALLAIA PARA A NOITE DESTA TERÇA-FEIRA Ícone da Música Romântica Maranhense-MRM, Lairton lança novo clipe....
-
Um homem morreu após um acidente na Estrada de Ribamar, na altura da Maiobinha, na madrugada desta quinta-feira (20). Segundo informações p...
-
Ex-vereadora e ex-prefeita de Urbano Santos, a parlamentar afirmou que pretende trabalhar em parceria com o Governo e a... A presidente da...
Pesquisar em ANB
Nº de visitas
Central de Atendimento
FAÇA PARTE DA EQUIPE DA AGÊNCIA DE NOTÍCIAS BALUARTE
Denúncias, Sugestões, Pautas e Reclamações: agencia.baluarte@hotmail.com
atallaia.baluarte@hotmail.com
Sua participação é imprescindível!
Denúncias, Sugestões, Pautas e Reclamações: agencia.baluarte@hotmail.com
atallaia.baluarte@hotmail.com
Sua participação é imprescindível!

0 comentários:
Postar um comentário