domingo, 7 de maio de 2017
Após eleição, Macron traz mensagem de otimismo para
a França
O próximo desafio do recém-eleito Emmanuel Macron
são as eleições legislativas, marcadas para 11 de junho.
O candidato independente Emmanuel Macron foi eleito
por 65,9% dos votos. Marine Le Pen recebeu 34,1% de apoio no segundo turno das eleições
na França, neste domingo. Três dias antes da eleição que consagrou Macron
o novo presidente da França, o escritor mais popular do país definiu assim o
movimento do candidato centrista: “É uma terapia de grupo para converter a
França ao otimismo”.
Para Michel Houellebecq, autor de “Submissão” e
grande tradutor do mal-estar francês contemporâneo, Macron surge como uma cura
para um país doente de pessimismo, “que se compara de maneira obsessiva com a Alemanha”
para descobrir que não consegue ser como o vizinho.
No universo houellebequiano, o otimismo com a
vitória de Macron traz em si o seu contrário, uma melancolia que reconhece que
não há mais retorno ao passado da França industrializada. Eleger Macron é
“aceitar a mundialização e fazer coisas diferentes de um smartphone. Somos bons no artesanato, na gastronomia, no
turismo”, listou Houellebecq, no palco do programa Emission Politique, no tom
depressivo de sempre. O otimismo francês dura poucas frases.
![]() |
| O presidente eleito, Emmanuel Macron, faz discurso da vitória na esplanada do Louvre em Paris. |
Nos cartazes fixados por todo o país, abaixo do
olhar sério de Macron, o slogan “A França deve ser uma chance para cada pessoa”
tinha ares de autoajuda, principalmente quando somada aos discursos emocionais
do jovem candidato, poucas vezes vistos na sisuda política francesa. Emoção que
chegou ao seu auge na tarde de 18 de fevereiro.
Em um comício na cidade de Toulon, Macron paralisou
a multidão ao usar uma frase ícone de Charles de Gaulle: “Eu entendi vocês”
disparou, em tom dramático, fazendo referência ao discurso feito pelo primeiro
presidente da 5ª república em 4 de junho de 1958, na Argélia. Na ocasião, De
Gaulle começou abriu a fala histórica com esta frase na intenção de acalmar a
multidão que lhe assistia na Praça do Fórum de Argel em plena guerra pela
independência da colônia.
Na versão de Macron, o célebre “Je vous ai compris” ganhou um
complemento. “Eu entendi vocês. E eu amo vocês”, disparou, dando o toque
emocional quase populista característico de sua retórica. Desde então, a França
discute o que é o “Macronismo”, essa força que agora sobe ao poder.
“O macronismo tem sentido por um lado e eletricidade
por outro”, na definição de François Lenglet, analista econômico da rede France2.
O sentido, ele não tem dúvida, é liberal: “É o desenvolvimento da economia
privada, é reduzir o estado. Um programa liberal clássico”, definiu, em análise
após a vitória. O lado que forneceria a eletricidade seria o carisma e a
proposta social, a “flexi-seguridade” escandinava, grande inspiração de Macron.
Primeiro desafio: eleição legislativa
Se por um lado falou ao coração dos franceses,
Macron não abriu mão de algumas propostas altamente impopulares. O tema reforma
trabalhista, que faz os franceses terem arrepios, esteve na linha de frente
durante toda a campanha, sem constrangimento. O novo presidente é claro: é
preciso tornar o atual modelo de emprego francês menos protetor para incluir os
10% de desempregados no mercado de trabalho. O fato de 65% dos eleitores terem
dado seu voto por um candidato que quer mexer nesta instituição francesa que
são os direitos trabalhistas é o maior sinal de que o país está mudando – e que
Macron soube perceber isso.
A casca de banana que pode aparecer no caminho do
novo governo e fazer o otimismo virar fúria tem data marcada para aparecer: 11
de junho, quando os franceses vão às urnas novamente eleger o novo parlamento.
Os discursos de Marine Le Pen e do radical de esquerda Jean-Luc Mélenchon – que
obteve quase 20% dos votos no primeiro turno – já mostram que as duas forças
extremistas estão mobilizadas para compor uma forte oposição ao novo governo.
Mélenchon e seu movimento França Insubmissa deve
constituir a maior resistência às reformas e já deixou claro que poderá repetir
as cenas de protesto e pancadaria nas ruas das grandes cidades franceses
verificadas no ano passado, quando François Hollande fez uma tímida mudança na
lei trabalhista.
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EDIÇÃO DE ANB
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