terça-feira, 8 de março de 2016
Lula
recorre da decisão do STF que não paralisou investigações contra ele
Advogados alegam que o
ex-presidente, como suspeito, não pode ser investigado duas vezes pelos mesmos
fatos
A defesa do ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva recorreu nesta terça-feira ao Supremo Tribunal
Federal (STF) com pedido para que a ministra Rosa Weber reconsidere a decisão
de não paralisar as investigações contra o petista. Na última sexta-feira, data
em que Lula foi levado para depor sobre o escândalo do petrolão, a ministra
rejeitou a tese da defesa de que as apurações envolvendo o político deveriam
ser interrompidas até que a corte decida qual Ministério Público - se o de São
Paulo ou o Federal - deve investigar as suspeitas de vantagens indevidas
recebidas pelo ex-presidente. Se Rosa Weber não reformar a decisão, os
advogados de Lula pedem que o caso seja decidido pelo plenário do STF.
Segundo a defesa, o
Ministério Público de São Paulo e a força-tarefa da Operação Lava Jato estão
investigando simultaneamente indícios de que Lula recebeu um tríplex no
edifício Solaris, no Guarujá (SP), como contrapartida por favores prestados à
empreiteira OAS, já investigada no petrolão, e se um sítio em Atibaia (SP) foi
alvo de benfeitorias de empreiteiras como forma de beneficiar o petista.
| Lula tá 'puto' porque tá sendo investigado |
De acordo com os
advogados do ex-presidente, entre as provas de que haveria duplicidade das
investigações sobre o sítio em Atibaia estariam, por exemplo, requisição de
imagens do Google Maps partindo da Superintendência da Polícia Federal em
Curitiba, e um despacho do Promotor de Justiça em São Paulo afirmando averiguar
a relação entre a OAS, o empreiteiro Leo Pinheiro e Lula. "A despeito do
evidente absurdo, é de clareza solar que o Ministério Público Federal, através
da Força Tarefa Lava Jato, de Curitiba (PR) está (...) promovendo investigações
relativas à propriedade e, ainda, a benfeitorias realizadas no tríplex do
Edifício Solaris, no Município do Guarujá e no Sítio Santa Bárbara, no
município de Atibaia, ambos no Estado de São Paulo", dizem os advogados.
"É certo, ainda, que tanto o Ministério Público Federal como o Ministério
Público Estadual têm conhecimento da existência de dois procedimentos
investigatórios versando os mesmos fatos, e, a despeito disso, ambos afirmam
atribuição para essa finalidade, havendo até mesmo compartilhamento de
prova", completam eles.
Os advogados alegam que
Lula, como suspeito, não pode ser investigado duas vezes pelos mesmos fatos. Em
sua decisão, a ministra Rosa Weber entendeu, porém, que é possível que o
Ministério Público Federal e o Ministério Público em São Paulo apurem "a
mesma realidade em perspectivas diferentes". "Não basta comparar
eventos em perspectiva puramente naturalística", disse ela no despacho de
sexta.
O recurso original dos
advogados do ex-presidente Lula chegou ao Supremo sob a alegação que não
haveria motivo para o petista ser investigado na Operação Lava Jato porque
qualquer relação envolvendo o tríplex ou o sítio em Atibaia não teria vínculo
com o escândalo de corrupção na Petrobras. "Não se pode cogitar de
qualquer interesse da União Federal na apuração de assuntos relacionados a duas
propriedades privadas e, ainda, relacionados a benfeitorias que igualmente
envolvem apenas agentes privados. O MPF pretende justificar sua atribuição em
virtude de uma - impensável - conexão presumida com a chamada 'Operação Lava
Jato'", dizem os defensores.
"O MPF reivindica
atribuição para investigar os mesmos fatos já em apuração no âmbito do MP/SP
apenas porque envolveria pessoas investigadas na chamada Operação Lava Jato.
Essa argumentação revela uma temeridade. Admitir esse quadro significa dizer
que toda e qualquer investigação que possa envolver uma pessoa já envolvida na
mencionada Operação Lava Jato - ou, ainda, qualquer parente de uma pessoa
envolvida nessa Operação - atrairá, presumidamente, a atribuição da Força
Tarefa do MPF e da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba", completam.
Para os procuradores de
Curitiba, porém, o ex-presidente Lula enriqueceu à custa dos crimes
investigados no petrolão e teve sua campanha política abastecida com dinheiro
sujo, o que justificaria a competência do Ministério Público Federal para investigar
o caso. "Há evidências de que o ex-presidente Lula recebeu valores
oriundos do esquema Petrobras por meio da destinação e reforma de um
apartamento tríplex e de um sítio em Atibaia, da entrega de móveis de luxo nos
dois imóveis e da armazenagem de bens por transportadora", informou a
força-tarefa da Lava Jato após a condução coercitiva do ex-presidente na última
semana.
As investigações
conduzidas pela força-tarefa da Lava Jato e pela Polícia Federal mostram que
"surgiram evidências de que os crimes o enriqueceram e financiaram
campanhas eleitorais e o caixa de sua agremiação política" e que existem
repasses a Lula - um deles, de pelo menos 1 milhão de reais, feito pela OAS -
"sem aparente justificativa econômica lícita".
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