domingo, 19 de julho de 2026

LEALDADE NÃO É SUBMISSÃO: O GRITO DE INDEPENDÊNCIA DO SUL DO MARANHÃO

Por Francisco Escórcio, ex-senador da República*

Recentemente, escrevi sobre o valor inegociável da lealdade na política. A lealdade é, de fato, o fio condutor dos grandes estadistas, a virtude que consolida alianças duradouras em prol do povo. No entanto, é fundamental não confundirmos lealdade com submissão cega, nem acordos honrados com cumplicidade a projetos de poder que desprezam a nossa gente.

Assistimos, neste momento, a uma grita ensaiada por parte do Palácio dos Leões e de seus fiéis escudeiros — como o ex-prefeito Sebastião Madeira —, acusando de "traição" o rompimento do prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral, com o governador Carlos Brandão. Contudo, sob a luz da realidade que sufoca a nossa região, pergunto: traição a quem?

O Ilusionismo de Pedra e Cal

Madeira, em seu discurso de "apoio incondicional", tenta nos convencer de que a instalação de uma "Sede Sul" e de uma residência oficial em Imperatriz são provas incontestes de amor e compromisso do governo estadual. Engana-se profundamente, ou tenta, de forma submissa, enganar os maranhenses. Como já  tive a oportunidade de denunciar, essa obra faraônica é mero ilusionismo. É a  maquiagem arquitetônica para a falta de investimentos reais e estruturantes na  saúde que agoniza, nas estradas que escoam a nossa produção e na segurança das nossas famílias. Acreditavam os palacianos que, com um prédio suntuoso, comprariam a simpatia e o silêncio da nossa gente. Erraram o cálculo. O povo de Imperatriz e de todo o Sul  do Maranhão tem memória, tem consciência crítica e não se deixa ludibriar por  vitrines políticas artificiais erguidas com o dinheiro dos seus próprios impostos. "A verdadeira traição ocorre quando o governo transforma a locomotiva econômica do estado em um mero curral eleitoral, ignorando-a na mesa onde as decisões reais são tomadas."

A Reação de um Povo que Não se Dobra

Quando o núcleo duro do governo estadual, liderado por Marcus Brandão, impõe  de cima para baixo a chapa do sobrinho Orleans Brandão — um nome que amarga rejeição astronômica na nossa região —, a verdadeira deslealdade já foi cometida contra o povo tocantino. O projeto que ali se instalou enxerga o Sul do estado  apenas como um apêndice para ser visitado em vésperas de eleição, pautando-se exclusivamente por interesses familiares e de negócios, e não pelo mérito ou pela representatividade. Diante desse cenário de miopia e arrogância política, a decisão de Rildo Amaral de buscar novos rumos e selar alianças com outras forças oposicionistas não é, sob nenhuma hipótese, um ato de deslealdade. É, antes de tudo, um ato de  sobrevivência política, um reflexo do recado das ruas e um grito de independência.  É a recusa veemente em atrelar seu nome e o destino da sua cidade a um projeto  familiar que nos ignora.

A verdadeira lealdade que se exige de um homem público, antes de qualquer governante de plantão, é para com a sua cidade e os seus eleitores. Aqueles que,  como Sebastião Madeira, optam por defender o indefensável, o fazem por  conveniência própria, trocando o protagonismo da nossa região por migalhas governamentais.

O Sul do Maranhão não precisa de esmolas. Precisa de respeito e de presença real  do Estado. Que os poderosos de plantão anotem a lição que as urnas e as ruas  começam a ditar: a arrogância não passa impune. O Sul do Maranhão não se dobra  aos caprichos de uma dinastia. O Sul reage.

* Também ex-deputado federal e atuou como assessor especial de 4 presidentes


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