O Fundo Monetário Internacional estima que os déficits públicos continuarão a crescer nos próximos anos, apesar da...
O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que os déficits públicos continuarão a crescer nos próximos anos, apesar da recuperação econômica após a crise provocada pela pandemia, de acordo com seu novo relatório de supervisão fiscal publicado na quarta-feira(12).
''Nas
projeções atuais, o endurecimento fiscal gradual previsto não será suficiente
para impedir que os índices da dívida pública retornem a uma tendência
ascendente, à medida que o Produto Interno Bruto (PIB) nominal desacelera”,
afirma o documento.
O Fundo estima que os déficits públicos subirão para atingir 5% do PIB em média – embora com grande variação entre os países -, uma vez que os governos ''enfrentam taxas de juros mais altas e pressões para aumentar o gasto público, incluindo despesas com pensões e salários para atingir o nível de inflação”.
Será o caso dos Estados Unidos, onde o déficit público crescerá este ano para 6,3% do PIB, depois de ter registrado taxas de 14% e 11% em 2020 e 2021, respectivamente, devido aos gastos públicos para superar a pior fase da pandemia de covid-19.O número continuará crescendo até atingir 7,1% em 2025, antes de começar a diminuir ligeiramente nos dois anos seguintes.
| Por outro lado, a China reduzirá gradualmente seu déficit público, embora o nível de endividamento da segunda maior economia do mundo também vá... |
Em 2023, a dívida da maior economia do mundo deve se situar em 122,2% do PIB, uma cifra que aumentará gradualmente e ficará em 136,2% em 2028.
O pico anterior apontado pelos números do FMI foi em 2020, quando a dívida dos Estados Unidos atingiu 133,5% de seu Produto Interno Bruto.
Por outro lado, a China reduzirá gradualmente seu déficit público, embora o nível de endividamento da segunda maior economia do mundo também vá crescer nos próximos anos e se situar em 104,9% do PIB em 2028.
Segundo o relatório, o gigante asiático vai registrar um déficit de 6,9% em 2023, seis décimos abaixo do que teve no ano passado. A taxa cairá para 6,4% em 2024 e, em 2028, será de 6% do PIB.
Quanto à dívida, o Fundo estima que seja de 82,4% do PIB em 2023, cifra que aumentará para 87,2% em 2024.
Incerteza fiscal
A entidade destaca que a situação
fiscal mundial está sujeita a grande incerteza, devido à desaceleração do
crescimento e à política de juros altos de muitos bancos centrais para conter a
alta da inflação.
Em suma, o FMI recomenda políticas de endurecimento fiscal para ajudar a reduzir a inflação, que sejam compensadas por incentivos aos grupos mais vulneráveis, para evitar que todo o peso das medidas contra o aumento de preços caia sobre o aumento das taxas de juros.
''Uma política fiscal mais restritiva – ao mesmo tempo em que se dá apoio direcionado aos mais vulneráveis - deve complementar os esforços das autoridades monetárias para levar a inflação de volta à meta e permitir que os bancos centrais aumentem menos as taxas de juros”, destaca o documento.
Os especialistas do organismo alertam que as
perspectivas fiscais no curto prazo são ''incertas” em parte devido ao aumento
da inflação, que se tem revelado mais persistente do que o esperado, e à
recente instabilidade no setor bancário.
EFE
EDIÇÃO DE ANB
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