segunda-feira, 14 de março de 2016
Homem
carrega cruz de 40 kg após ficar 16 anos preso; ele nega crime
Em
1993, ele foi acusado de ter matado uma jovem de 21 anos no interior de São
Paulo a marretadas. A ação teria acontecido em frente a uma criança de 4 anos
Há
29 dias Paulo Cícero de Lima, 55 anos, está caminhando com uma cruz de 40
quilos sob as costas. O protesto surgiu após ficar 16 anos preso por um crime
que não cometeu. Em 1993, ele foi acusado de ter matado uma jovem de 21 anos no
interior de São Paulo a marretadas. A ação teria acontecido em frente a uma
criança de 4 anos.
Paulo foi condenado e passou por mais de 14 presídios desde então. "Não fiz aquilo eu estava passando pelo local e a polícia me pegou. Estava com a roupa suja de sangue de uma galinha que tinha matado. Não quiseram me ouvir", reclama. Por volta das 17h45 desta segunda-feira (14/3) ele caminhava pelo Eixinho Sul, na altura da 210.
| O andarilho chegou à capital federal no fim da noite deste domingo (13/3) pela BR 040 |
O andarilho chegou à capital federal no fim da noite deste domingo (13/3) pela
BR 040. "Quero que meu processo seja reaberto. Não vou embora enquanto
isso não acontecer. Vou tirar essa mancha na minha vida", argumenta.
Perdas
Paulo deixou a cadeia em 2009. Desde então ele tenta mudar sua história. "Voltei ao local do crime, conversei com as pessoas e muita gente ainda está viva. Fui acusado por um homem que se dizia policial, mas não era. Me contaram que na verdade o assassinato foi um acerto de contas", explica o homem.
Durante os últimos dias, Paulo dormiu na rua e contou com a ajuda de pessoas desconhecidas. "Comi e bebi o que me ofereceram. Passava a noite na beira da pista. Tenho muito a agradecer", disse após mais de 10 horas de caminhada nesta segunda. Ao todo, Paulo passou por São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
Paulo deixou a cadeia em 2009. Desde então ele tenta mudar sua história. "Voltei ao local do crime, conversei com as pessoas e muita gente ainda está viva. Fui acusado por um homem que se dizia policial, mas não era. Me contaram que na verdade o assassinato foi um acerto de contas", explica o homem.
Durante os últimos dias, Paulo dormiu na rua e contou com a ajuda de pessoas desconhecidas. "Comi e bebi o que me ofereceram. Passava a noite na beira da pista. Tenho muito a agradecer", disse após mais de 10 horas de caminhada nesta segunda. Ao todo, Paulo passou por São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
| Segundo o andarilho, o protesto surgiu após um sonho. Ele teria que carregar a cruz até a Catedral Metropolitana de Brasília para ter o problema resolvido |
Segundo o andarilho, o protesto surgiu após um sonho. Ele teria que carregar a
cruz até a Catedral Metropolitana de Brasília para ter o problema resolvido.
"Sou devoto de Maria. Sonhei que se eu carregasse a cruz ela me intercederia por mim. Acredito que quando eu chegar lá (na Catedral), ela vai
tocar no coração de alguém para me ajudar", explica. O objeto custou cerca
de R$ 200 e é feito em madeira e possui uma roda para ajudar no traslado.
Abandono
"Muitos sonhos ficaram soterrados nesse estigma de assassino. Perdi o contato com meus filhos, por exemplo", conta o pai de quatro filhos e oito netos. Na noite do crime, Paulo recorda de um desentendimento com a ex-mulher. "Saí de casa me deparei com o crime e me enrosquei nesse problema", lamenta.
Abandono
"Muitos sonhos ficaram soterrados nesse estigma de assassino. Perdi o contato com meus filhos, por exemplo", conta o pai de quatro filhos e oito netos. Na noite do crime, Paulo recorda de um desentendimento com a ex-mulher. "Saí de casa me deparei com o crime e me enrosquei nesse problema", lamenta.
Dentro
da cadeia Paulo diz que viveu pressionado pelo medo de os outros detentos
saberem da história. "Os próprios agentes falavam que se eles ficassem
sabendo iriam me matar. Tinha muito medo", diz.
Paulo deixou a cadeia em 2009. Após o período preso, trabalhou como ajudante de serviços gerais em algumas empresas no interior de São Paulo. Anres de encarar o desafio, ele estava morando em Jundiaí com a mãe e os irmãos.
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