segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Passageira chama cobradora de 'neguinha atirada' e depois chora ao ser presa
Mulher é presa por injúria racial após chamar cobradora de “neguinha atirada”. Ao ser detida, a agressora chorou e tentou se justificar afirmando que a expressão foi utilizada de “forma carinhosa”, sem intenção de ofender. Vítima desabafa: “Fui humilhada na frente de muita gente. O racismo acontece o tempo todo, toda hora e em qualquer lugar”
Mayra Bandeira, Gazeta Online
“O racismo acontece o tempo todo, toda hora e em qualquer lugar”. O desabafo é da cobradora de ônibus Thaynara Braga da Conceição, 23 anos, que foi chamada de “neguinha atirada” e acusada de furto, por uma passageira, dentro de um ônibus do Transcol.
O fato aconteceu durante uma viagem da linha 503 (Terminal de Laranjeiras/Vila Velha) em que Thaynara trabalha. O crime foi cometido por uma passageira, 31 anos, acompanhada da filha de oito anos e de um vizinho.
| Thaynara foi chamada de ‘neguinha atirada’ durante trabalho. Agressora acabou presa por injúria racial. (Foto: Mayra Bandeira/ A Gazeta) |
A suspeita embarcou no coletivo por volta das 9 horas, na Avenida Reta da Penha, quando ele seguia para Vila Velha. Thaynara relatou que a passageira entregou a ela uma nota de R$ 5, dobrada, e disse para a vítima cobrar duas passagens – a da suspeita e a do vizinho. A cobradora disse que devolveu R$ 0,10 de troco.
“Depois ela quis passar junto com a filha, eu disse que não podia. Ela ficou com raiva, mandou a criança pular a roleta”, conta Thaynara.
Após pagar as passagens, a suspeita foi sentar-se nos fundos do coletivo. Segundos depois, o amigo dela foi até a cobradora cobrando o troco de R$ 10. Thaynara disse que só havia recebido R$ 5.
“Ela começou a gritar no ônibus que tinha me dado dinheiro a mais e que eu deveria prestar atenção. Depois, insinuou que eu estava querendo pegar o dinheiro dela”, falou.
Thaynara afirma que conferiu o caixa e viu que a mulher dizia a verdade. Ela, então, devolveu o dinheiro à passageira, que continuou com as ofensas. O motorista do coletivo parou o veículo próximo à uma viatura da Polícia Militar e contou o que estava acontecendo.
A ocorrência foi encaminhada para a 1ª Delegacia Regional de Vitória.
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