sexta-feira, 29 de junho de 2018

Depois de 15 dias ininterruptos de futebol, a abstinência bate à porta


Depois de 15 dias ininterruptos de futebol, a abstinência bate à porta. O primeiro dia sem jogos na Copa do Mundo deixa a todos meio desnorteados. Para os mais aficionados – aqueles que chegam até a folgar para acompanhar a competição –, a situação é bem pior. “Fico bem triste, bate uma certa depressão, um leve desespero”, comenta Pedro Moreira, 30, farmacêutico. “Você fica numa ‘deprê’ mesmo. Vicia acompanhar todos os jogos”, faz coro o jornalista Fernando Miragaya, de 47 anos.

Desde a Copa de 2006, na Alemanha, Moreira faz questão de se programar e tirar férias que coincidam com as datas dos jogos. Nesta edição não foi diferente. “Tiro 30 dias justamente para não perder nada. Consigo acompanhar desde a partida de abertura até a final sem sofrimento”, explica. “Essa primeira ‘folguinha’ da Copa é complicada. Fico meio sem saber o que fazer porque meus dias são todos planejados para acompanhar os jogos”, completa.

Miragaya, que trabalha em esquema de home office, se verá obrigado a acompanhar as mesas redondas.
Já Miragaya, que trabalha em esquema home office, aproveitará o dia sem confrontos entre seleções na Copa para adiantar suas tarefas e, de quebra, dedicar parte do tempo às mesas redondas. 
Quem fará o mesmo é Tiago Magalhães, 32, empreendedor. “Não consigo ficar um dia sem jogo. É um evento sazonal, quero aproveitar ao máximo. Vou acompanhar tudo o quanto é debate esportivo”, promete. Para ele, os programas esportivos servem para combater a ansiedade. “Para quem acompanha VT de Panamá e Tunísia, que foi um ótimo jogo, diga-se de passagem, qualquer programa que fale sobre Copa vale”, diz o empreendedor que ameaça tomar ansiolíticos “para aguentar tamanha ansiedade”.

Para Raphael Zaremba, Doutor e Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-Rio, seria muito forte pensar em patologia. “É mais, na verdade, uma expectativa que se cria com a competição, que não é uma coisa rotineira”. Para Tiago Magalhães, contudo, crise só uma. E não é de ansiedade: “Problema vou ter é se o Brasil não passar do México. Aí, meu amigo, a crise vai bater. E forte!”.

AS INFORMAÇÕES SÃO DO REPÓRTER MARCUS CELESTINO
EDIÇÃO DA AGÊNCIA BALUARTE 

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