terça-feira, 4 de abril de 2017

Ode Triste para Amores Inacabados, de Fernando Atallaia

Fernando Atallaia é músico, compositor, jornalista e um jovem e belo poeta maranhense, não tão jovem como Edimião, o pastor, mas  belo como Keats, quando se nos revelou as odes contidas naquela urna grega transbordante de melodias inéditas, e como o poeta inglês, também caracterizada por um imaginário sensual. 

E são odes que Fernando Atallaia nos trás, todas carregadas de muita emoção, sensibilidade e erotismo, a levar-nos, o poeta, às raias da luxúria e até aos páramos da concupiscência, com ternura no léxico em que escafandra seus sentidos, e com a enérgica semântica com que golpeia as suas imagens.

Vejamo-lo no poema rendez-vous:  “Demorei séculos para gozar neste latifúndio”. Sente-se aqui que Atallaia é incisivo na palavra e tirano contra o comum existencial no poema...

O escritor Fernando Braga sobre a obra poética de Fernando Atallaia: ''Vê-se por ai que Fernando Atallaia não é só um engajado poeta na temática da hora que passa, mas um músico de grande fôlego, e um poeta e compositor que se confundem com o jornalista e com o repórter, de gosto requintado e talento sem medidas''.
E o poeta grita. Perspicazmente, Fernando se adentra à física quântica em rumo de outros “buracos negros” para se fazer partícula do firmamento e dizer:  “Um átomo saliente rumo a este céu. Meu nome é Jean Yves Lecastel. O senhor das donzelas aprisionadas. Das falas tímidas amordaçadas do púbis tristes entre os  lençóis...”

Quer mais? Por isso o poeta conclui: “Meu nome é  Jean Yves Lecastel. Nasci entre brechas nas frestas escuras do afeto. A ver a pele sangrar no dorso de mamilos rejeitados...”

Vê-se por ai que Fernando Atallaia não é só um engajado poeta na temática da hora que passa, mas um músico de grande fôlego, e um poeta e compositor que se confundem com o jornalista e com o repórter, de gosto requintado e talento sem medidas.

E o poeta prossegue em suas odes, desta vez a projetar-se nas entranhas de “Vivi Fernandes e Lara Stevens devorando Hilda Hilst”, para aconchegarem-se como quem dorme para depois dizer sem despudor: “Despertai das entranhas do desejo olho meu corpo meu Falo meu falo de amor nessa hora...” Para quedar-se, por fim em êxtase: “Chupo o verso da vulva insaciável e Hilda dorme para me sugar enquanto gozo. Chupo e caio. Devo ir agora antes que o mundo se acabe”. 

Deixei para o final este em “Nome da filha”. Poema em que Fernando Atallaia canta como se estivera entre as cinzas do Purgatório e o dionisíaco esplendor dos filhos de Euterpe e Calíope, de quem ele é um dos escolhidos e  legítimo: “Todo dia é a mesma coisa tento  amenidades. E digo que lançarei um livro. A mulher sorrir sem dentes e mostra o decote. Chamar-se-á Ode Triste para Amores Inacabados”

Fernando Braga

Caldas Novas – Goiás, março de 2017.


Fernando Braga nasceu em São Luis do Maranhão em 29 de maio de 1944. Escritor, poeta e jurista com pós-graduação em Ciência Política na Universidade de Brasília (UnB), e estágio em Direito Penal Comparado pela Universidade de Paris-Sorbonne, publicou em poesia: Silêncio Branco, 1967; Chegança, 1970; Ofício do Medo, 1977; Planaltitude, 1978; O Exílio do Viandante, 1982; Campo Memória, 1990; O Sétimo Dia 1997 e Poemas do tempo comum, 2009.  


7 comentários:

  1. Toda geração de Fernando é muito boa, são os poetas maranhenses que surgiram ali na década de 90/DAC-UFMA, Centro Histórico, os Festivais/ acompanho esse pessoal dessa época pra cá um mais nobre que o outro, parabens Fernando Atallaia você marca gerações.

    Do amigo Celso Luis/EMEM

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  2. Como não amar seus poemas, Atallaia? São simplesmente maravilhosos. Parabéns pelo reconhecimento.

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  3. Fernando Atallaia nosso mestre do jornalismo da poesia e da música, canto3 musicas do cara, LACROU MERMÃO É NOIS Antonio a galera do som de Ribamar

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  4. O grande poeta e escritor Fernando Braga fez uma viagem lírica sobre a sensualíssima e extasiante obra do poeta Fernando Atallaia - Ode Triste para Amores Inacabados, desnudando o belo poema nu e cru feito da luz das estrelas, iluminando o nectar das entranhas, com a competência literária peculiar do Fernando (Braga) que tece inteligente critica sobre a obra do Fernando (Atallaia) - que constrói com magia e talento mais uma obra imortal.
    Francisco Tribuzi

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  5. Fernando Braga encontrou as palavras certas para definir Fernando Atallaia. Uma questão de homonimia...

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  6. Meu amigo Atalaia. Parabéns por mais esse reconhecimento alcançado. Você cada vez mais se tornando um poeta consagrado e elogiado por críticos que entendem do riscado. Sem falar que os trechos citados por Fernando Braga são fortíssimos e resumem muito bem a obra por ele analisada.
    Sucesso!!! Abraços aos Ribamarenses!!!

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