quarta-feira, 22 de novembro de 2017
“Será que a lista de ‘400 fantasmas’ também foi inventada?”, perguntou Dino

O Governador se manifestou nas redes sociais cobrando esclarecimentos sobre irregularidades na Secretaria de Estado da Saúde (SES)

Quase uma semana após ter sido deflagrada pela Polícia Federal, a quinta fase da “Operação Sermão aos Peixes” – que investiga um esquema de desvio de verbas e fraudes na contratação e pagamento de pessoal na Secretaria de Estado da Saúde (SES) em 2015 –, o governador Flávio Dino voltou a se manifestar nas redes sociais sobre as “supostas” irregularidades encontradas pela PF. Uma das ilegalidades descritas pela PF estaria relacionada à contratação de mais de 400 funcionários fantasmas. Apesar de ter anunciado a existência da lista, a Polícia Federal ainda não divulgou os nomes dos “fantasmas”, o que originou a cobrança pública de Dino no Twitter.

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O delegado Wedson Cajé Lopes, responsável pela operação: controvérsias.
De acordo com o governador, foram feitos dois pedidos oficiais à Polícia Federal requerendo a tal lista, mas, até o momento, ela segue guardada. “Até o presente momento não chegou ao nosso governo a suposta lista de ‘400 fantasmas’ que existiriam na Secretaria de Saúde em 2015. Queremos a lista para ajudar a apurar a alegação. Já requeremos oficialmente duas vezes e nada”, afirmou Dino.

Em sua manifestação nas redes sociais, o governador criticou a Polícia Federal e chegou a duvidar da condução das investigações. Segundo Dino, o desejo em conseguir a lista dos “400 fantasmas” seria uma maneira de o próprio governo do estado apurar as irregularidades internamente.

Atual Governador do Maranhão, Flávio Dino também já foi presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe)
O governador Flávio Dino, acerca de operação da Polícia Federal na Ses: “Será que a lista de ‘400 fantasmas’ também foi inventada?”
“Um delegado da Polícia Federal afirmou ao país que havia essa lista de ‘400 fantasmas’ em 2015 e nós queremos apurar administrativamente. Onde está a lista? Investigações não podem ser conduzidas como peças políticas ou puramente midiáticas. Inventaram uma sorveteria ‘jocosa’. Será que a lista de ‘400 fantasmas’ também foi inventada?”, disse o governador. Dino garantiu que quer “esclarecer a verdade”. “A linha do nosso governo sempre foi e continua a ser de colaborar com todas as investigações sérias e isentas. Por isso queremos a lista. Para ajudar a esclarecer a verdade, qualquer que seja ela”, finalizou.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da Polícia Federal sobre os desdobramentos da quinta fase da “Operação Sermão aos Peixes”. A assessoria informou que “a PF não comenta sobre operações em andamento e nem recebeu, até o momento, pedido formal do governo do estado” a respeito da lista dos “fantasmas”.
Sobre as críticas do governador, a assessoria da PF explicou que a entidade não comenta “manifestações em rede social”.


Operação

Iniciada em 2015, a “Operação Sermão aos Peixes” chegou à sua quinta fase, intitulada de “Pegadores”. Essa nova etapa resultou na prisão temporária de 13 pessoas, e no cumprimento de 26 mandados de busca e apreensão em São Luís, Imperatriz, Amarante e Teresina (PI), além do bloqueio judicial e sequestro de bens no total de R$ 18 milhões. Cinco veículos, entre eles uma Hilux e um Corolla, também foram apreendidos. Todas as ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Criminal Federal da Seção Judiciária do Maranhão.

A nova superintendente da Polícia Federal no Maranhão, Cassandra Ferreira Alves: PF não se manifestará sobre críticas.
Dentre as pessoas que foram presas está a ex-subsecretária de Saúde do Estado e atual suplente a deputada federal, Rosângela Aparecida da Silva Barros, conhecida como Rosângela Curado (PDT). De acordo com a PF, entre janeiro e setembro de 2015, período em que Rosângela Curado ocupou o cargo de subsecretária de Saúde, ela teria sido a responsável pelo desvio de uma parte da verba pública.

A estimativa inicial da PF é que o montante dos recursos públicos federais desviados por meio de tais fraudes supere a quantia de R$ 18 milhões. Contudo, o dano aos cofres públicos pode ser ainda maior, pois os desvios continuaram a ser praticados mesmo após a deflagração de diversas outras fases da Operação Sermão aos Peixes.


AS INFORMAÇÕES SÃO DO JORNAL O IMPARCIAL
EDIÇÃO DE FERNANDO ATALLAIA

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