quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Wellington e Eliziane em Pinheiro
Eleições se aproximando e Wellington do Curso, conhecido por suas delongas babadoras, aproveitou para tirar proveito do crescimento eleitoral da deputada Elisiane Gama ao governo do Estado e não deu outra: babação à vista. Vejam o que o pretenso candidato soltou: “Quero nesta singela mensagem expressar o carinho, respeito e orgulho que tenho por você. Que o seu exemplo de vida, reflita em nosso dia a dia e que cada um de nós possa aprender com a sua bondade“, Wellington do Curso. 
Bondade(...). É mole?

Maioria do STF absolve mensaleiros do crime de formação de quadrilha


Placar final ficou 6 a 5 a favor dos réus do mensalão que vão ter as penas reduzidas

 
O Globo


RIO - O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou na manhã desta quinta-feira(27) o julgamento dos recursos do processo do mensalão do PT. Seis dos 11 ministros votaram pela absolvição de oito condenados pelo crime de formação de quadrilha, entre eles o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que está preso. Na prática, as penas serão reduzidas.  

O placar foi de 6 a 5 a favor dos condenados, o que gerou críticas do presidente do STF, Joaquim Barbosa. Segundo ele, foi uma “tarde triste” para o Supremo. (Veja aqui como foi o julgamento). No retorno do intervalo da sessão, os ministros decidiram votar os embargos infringentes referentes à lavagem de dinheiro no próximo dia 13, após o carnaval. Três réus entraram com embargos infringentes no caso de lavagem de dinheiro: o ex-deputado João Paulo Cunha; o ex-assessor parlamentar do PP, João Cláudio Genu, e o doleiro Breno Fischberg.


Sessão no Supremo Tribunal Federal para julgamento dos embargos infringentes dos réus do mensalão nesta quinta-feira
Foto: André Coelho / Agência O Globo
Sessão no Supremo Tribunal Federal para julgamento dos embargos infringentes dos réus do mensalão nesta quinta-feira André Coelho / Agência O Globo
Houve apenas as sustentações orais das defesas e do Ministério Público Federal. O procurador-geral Rodrigo Janot pediu que o STF negue os embargos para os réus.
Os embargos para formação de quadrilha analisados na primeira parte da sessão, pela manhã, foram de Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT), José Genoino (ex-presidente nacional do partido), José Roberto Salgado (ex-dirigente do Banco Rural), Kátia Rabello (dona do Banco Rural), Marcos Valério (operador do mensalão), Ramon Hollerbach e Cristiano Paz (ambos ex-sócios de Marcos Valério), além de Dirceu. 

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Zé Dirceu se preparando para sair do regime fechado: ser corrupto no Brasil é coisa boa, diz ele 
Votaram a favor da absolvição os ministros Dias Toffoli, Luis Roberto Barroso, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Teori Zavascki e Rosa Weber. Negaram os embargos os ministros Joaquim Barbosa, presidente do STF; Luiz Fux, relator; Gilmar Mendes, Marco Aurélio de Mello e Celso de Mello. 

Último a votar nesta quinta-feira, o ministro Joaquim Barbosa criticou a decisão da maioria da Corte. Segundo ele, o trabalho do STF, em 2012, foi desperdiçado. Para o magistrado, a nova maioria do Supremo agiu com o “objetivo de anular, de reduzir a nada, o trabalho que fora feito”.
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José Genoino pretende dá um adeus definitivo às dores de cabeça

- Inventou-se, inicialmente, um recurso à margem da lei - disse ele, referindo-se aos embargos infringentes.

Em seguida, Joaquim Barbosa falou sobre a absolvição por formação de quadrilha:
- Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira que esse é apenas o primeiro passo.
E completou:
Já Delúbio sempre suspeitou que acabaria em pizza...
-Agora inventou-se um novo conceito de formação de quadrilha. Um conceito discriminatório. Só aqueles que praticam crimes de sangue participariam. Ouvi argumentos espantosos que se basearam apenas em cálculos aritméticos e em estatísticas totalmente divorciadas das provas dos autos, da gravidade dos crimes.

No fim, Joaquim Barbosa lamentou:

- Esta é uma tarde triste para este Supremo Tribunal Federal, porque com argumentos pífios foi reformada, foi jogada por terra, extirpada do mundo jurídico, uma decisão plenária sólida e extremamente bem fundamentada. Peço vênia à maioria, e voto pela rejeição dos embargos infringentes ora impetrados.

O ministro Teori Zavascki foi o primeiro ler o voto. Ele se posicionou a favor da absolvição:
- A posição majoritária (primeira decisão do STF) é que a quadrilha é formada contra a administração pública e contra o sistema financeiro. Embora não se negue a ocorrência de todos essa variedade delituosa, (...) não está precisamente caracterizado o dolo específico do crime de quadrilha - disse Zavascki. - É difícil sustentar que o objetivo comum, que a essência dos interesses dos acusados tenha sido a prática daqueles crimes. Voto pelo acolhimento dos embargos infringentes - finalizou.


População reclama pelos bairros da cidade e redes sociais da qualidade da programação

Por Fernando Atallaia
Direto da Redação


O prefeito de São José de Ribamar, Gil Cutrim, parece mesmo não acertar quando o assunto é gerir Cultura. Até o ano passado, a gestão do prefeito era responsável por contratar bandas de outros estados pagando-lhes cachês considerados exorbitantes, ou altos demais. Enquanto que os grupos e bandas locais não recebiam sequer 10% do total pago aos artistas visitantes.


Desejando mudar essa lógica, o prefeito tenta agora realizar um carnaval ‘’tipicamente ribamarense’’ com atrações da cidade, mas, esbarra na insatisfação de parte da população do município, acostumada com atrações de ‘’maior expressão’’(assim mesmo, entre aspas). O descontentamento segue generalizado por ruas de bairros de Ribamar, e também nas redes sociais.
O prefeito de São José de Ribamar, Gil Cutrim: ele tenta imprimir tradição, mas não agrada
''Tudo bem que ele quer fazer um carnaval daqui, sem trazer bandas de fora, mas o ideal seria ele (Gil Cutrim) pagar o mesmo cachê para os grupos e músicos da cidade, igualando com o cachê das bandas dos outros estados para quem eles pagavam milhões, como ele não quer pagar com o tratamento igual dispensado ao artista de fora, inventou de que tá valorizando os músicos daqui, que recebem muito pouco por suas apresentações nos circuitos montados pela prefeitura'', explica um folião ribamarense. 


A explicação do folião encontra maior profundidade no fato de Gil Cutrim e sua gestão para Cultura estarem preocupados em enxugar a receita para o setor em programações consideradas de grande proporção como é o caso do carnaval e também do São João. ‘’ Não adianta deixar de trazer as bandas de outros estados para tocar aqui na cidade, até porque o cachê que era dado a essas bandas não é dado agora para os artistas de Ribamar, o nosso cachê é muito pouco e ainda atrasa’’, diz um músico do município. 

A secretária de Cultura de São José de Ribamar, Maria do Socorro Araújo: ela terá que prestar contas aos artistas da aplicabilidade dos recursos
A programação deste ano batizada com o slogan ''Tradição e Alegria'', foi anunciada com a participação de mais de 70 agremiações carnavalescas, incluindo blocos organizados, bandas, blocos afro, escola de samba, tambor de crioula, blocos alternativos, grupos de samba e outras manifestações. Mas pelo visto, nem público e artistas seguem satisfeitos. Pelo menos, até aqui, quando ainda não foi anunciado com transparência o dinheiro que será aplicado no carnaval de 2014. 


''Queremos saber  qual o valor do recurso destinado para o carnaval deste ano aqui em Ribamar, e como esse dinheiro será aplicado e distribuído às brincadeiras e artistas locais, porque nunca se sabe como essa distribuição é feita, se uns ganham menos e outros mais, por exemplo, o dinheiro é público e temos direito de ter essa informação'', exigiu uma cantora ribamarense que pediu para não ser identificada.

Ex-secretários são acusados de fraudes em Paço do Lumiar

Fraude em licitação motiva Denúncia e ACP por improbidade contra gestores e empresário.

 A 1ª Promotoria de Justiça de Paço do Lumiar ofereceu, em 31 de janeiro, Denúncia e propôs Ação Civil Pública por ato de improbidade administrativa contra dois gestores, quatro ex-gestores e um empresário, em razão de fraude em processo licitatório, superfaturamento dos valores dos serviços contratados, pagamento de obras não executadas e execução de serviços de baixa qualidade.

São alvos da Ação e da Denúncia do Ministério Público do Maranhão (MPMA): Pedro Magalhães de Sousa Filho (ex-secretário municipal de Infraestrutura), Adriana Oliveira Carvalho (ex-secretária municipal de Infraestrutura), José Eduardo Castelo Branco de Oliveira (ex-secretário municipal de Orçamento e Gestão), Gabriel Costa Elforti (secretário municipal de Orçamento e Gestão), Marcelo Henrique Portela Rocha (secretário municipal de Infraestrutura), Helder Teixeira Oliveira (ex-presidente da Comissão Permanente de Licitação de Paço do Lumiar).


Eduardo Castelo Branco.
Eduardo Castelo Branco: fraude

Também é alvo da Ação e da Denúncia do MPMA José Umarly Torres Gomes, empresário, sócio da empresa Construmar Construtora Maranhense e Comércio LTDA.
As manifestações foram assinadas pelos promotores de justiça Gabriela Brandão da Costa Tavernard (da Comarca de Paço do Lumiar), Reinaldo Campos Castro Júnior (da Comarca de Raposa) e Samaroni de Sousa Maia (da Comarca de São José de Ribamar).
As irregularidades constatadas pelo MPMA referem-se à licitação para contratação de serviços para pavimentação da avenida principal do bairro de Iguaíba e à execução da obra.

O contrato para a execução dos serviços, no prazo de cinco meses, no valor de R$ 1.066.520, foi assinado pelo então secretário de Orçamento e Gestão, José Eduardo Castelo Branco de Oliveira, pela secretária municipal de Infraestrutura à época, Adriana Oliveira Carvalho, e pelo empresário José Umarly Torres Gomes.


PAVIMENTAÇÃO

Consta nas ações que Pedro Magalhães de Sousa Filho, então secretário municipal de Infraestrutura solicitou abertura de procedimento licitatório para a contratação de serviços de pavimentação viária da avenida principal do bairro Iguaíba. Elaborou, ainda, um projeto básico contendo os serviços, suas especificações e o valor estimado para a contratação, correspondente a R$ 1.068.082,36.

O edital da licitação foi publicado no Diário Oficial, em 2 de março de 2011, e no Jornal Extra. No entanto, não há comprovação de que foi publicado na internet e em jornal de grande circulação, conforme prevê a Lei 8.666/93, havendo então, segundo os promotores de justiça, restrição à ampla publicidade.

Apenas a empresa Construmar Construtora Maranhense e Comércio LTDA participou do certame, sendo vencedora, de acordo com a Comissão Permanente de Licitação, por ter apresentado o menor preço global: R$ 1.066.520.

De acordo com os promotores de justiça, como a administração não buscou cotar os preços junto a, pelo menos, três empresas, também não procurou contratar aquela que apresentasse proposta mais vantajosa. “Por isso, pode-se concluir a total irregularidade do procedimento licitatório, mediante afronta aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência”, afirmaram, na ação.

PAGAMENTO EM DUPLICIDADE

Conforme depoimento do empresário José Umarly Torres Gomes, o valor do contrato foi pago integralmente e foi feito um aditivo ao contrato no valor aproximado de R$ 265 mil para incluir serviços de tapa-buraco. Consta nos autos que a obra já contemplava a execução de tapa-buraco, sendo assim, segundo os promotores de justiça, o Município superfaturou o contrato original, porque efetuou pagamento em duplicidade por serviço já contratado.

Por último, laudo do Instituto de Criminalística, apresentado após realização de vistoria no local correspondente ao objeto da licitação, apontou que, em razão do estado de conservação da via, os serviços contratados e pagos à empresa Construmar Construtora Maranhense e Comércio LTDA não foram executados e, se foram, podem ser classificados como de baixa qualidade. O laudo também atestou que o serviço de recuperação de drenagem da via não foi realizado.

 

Com mais cinco nas últimas horas, São Luís registra 12 assaltos a ônibus em 3 dias


 Mais uma noite perigosa para quem utiliza os coletivos na capital maranhense. Segundo informações da Imirante AM, foram registrados cinco assaltos a ônibus em São Luís nas últimas horas. 

Por volta das 22h45 dessa quarta-feira (26), na Avenida dos Portugueses, um ônibus, da empresa Taguatur, foi assaltado por dois homens armados com facas. Os assaltantes levaram pertences dos passageiros e a renda do coletivo. No bairro do Fumacê, três homens armados com facas levaram dinheiro e pertences dos passageiros de outra viagem.

Dados do SET revelam um aumento de 67% no número de assaltos a ônibus, em São Luís
Assaltos à ônibus tem se tornado frequentes na capital maranhense
Horas antes, às 21h15, outro coletivo foi assaltado no bairro do Cohatrac, próximo ao posto de combustível Maracajá, por três homens com facas. No bairro do Ipase, próximo à ponte, o ônibus da empresa Primor, que faz a linha Cohama, foi assaltado por três homens.

O último assalto registrado foi no bairro do Recanto dos Vinhais. Um homem armado com revólver levou pertence de passageiros e a renda da viagem.


Doze assaltos a ônibus de transporte coletivo foram registrados nas últimas três noites em São Luís, segundo os plantões de polícia da capital maranhense. Cinco deles aconteceram na noite de quarta-feira (26), três na noite de terça (25) e outros quatro na noite de segunda (24).
Assaltantes roubam mil reais no Big Gago da Cohama

As imagens do circuito interno mostram a audácia de assaltantes na madrugada desta quarta-feira (26) na panificadora Big Gago, no bairro Cohama, em São Luís.
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Imagens do circuito interno mostram a ação dos assaltantes
Três homens armados renderam funcionários e clientes, enquanto outro dava cobertura em um carro estacionado na porta da loja. Os três que estavam dentro colocaram o segurança, que não estava armado, e mais um casal sentados próximo ao balcão. Outros quatro funcionários e uma cliente foram para a área de produção ao perceberem a ação.

Eles levaram uma gaveta que não tinha dinheiro, a quantia de mais de R$ 1.000,00 e celulares de funcionários e clientes. As imagens estão com a polícia, mas nenhum deles não foi preso ainda. 


  
Fonte: iDifusora
Homem acusado de fazer magia negra é preso
JP

O caso foi registrado em um povoado próximo a cidade de São Raimundo das Mangabeiras. Segundo informações da polícia, Francisco Lima de 54 anos realizava rituais de magia negra e garantia a cura de várias doenças. Uma das vítimas tem 80 anos e estava se tratando de um câncer quando foi abordado por Francisco.

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Francisco Lima garantia cura de doenças, mas o santo era de barro
Segundo relatos, ele disse que precisaria de R$ 1.000,00 e um terreno para garantir a cura. O filho da vítima descobriu e denunciou o fato à polícia. Francisco foi preso e encaminhado para Balsas.

Ao chegar ao 11º Delegacia Regional de Balsas, Francisco foi encontrado com R$ 4.000,00 na cueca e mais R$ 1.600,00 na carteira. Aproximadamente R$ 500,00 do total apreendido eram falsos. Com ele ainda foi encontrado munições, uma faca e cordões de ouro.

"A raiz do mal reside no fato de se insistir demasiadamente que no êxito da competição está a principal fonte de felicidade."

"O invejoso, em vez de sentir prazer com o que possui, sofre com o que os outros têm."

"O segredo da felicidade é o seguinte: deixar que os nossos interesses sejam tão amplos quanto possível, e deixar que as nossas reações em relação às coisas e às pessoas sejam tão amistosas quanto possam ser." 


( Bertrand Russell)  

O músico Ernesto Paulelli foi amigo do sambista e homenageado na canção "Samba do Arnesto", de 1953

 Do IG

"O Arnesto nos convidô prum samba, ele mora no Brás, Nóis fumo e não encontremos ninguém, Nóis vortemo cuma baita de uma reiva", cantava Adoniran Barbosa em "Samba do Arnesto", música dedicada ao amigo Ernesto Paulelli, que morreu nesta quarta-feira (26), aos 99 anos.

Ernesto Paulelli: fonte de inspiração de Adoniram, ele morreu aos 99 anos

Ernesto faria 100 anos em 15 de dezembro de 2014 e também foi músico. Ele estava internado desde sexta-feira (21) e morreu de causas naturais. O velório aconteceu no Cemitério do Araçá e reuniu centenas de pessoas, entre fãs e conhecidos.

A amizade entre Ernesto e Adoniran começou nos anos 1930 e a homenagem em forma de "Samba do Arnesto" foi lançada em 1953. Antes de ser músico, Ernesto foi engraxate. Trabalhou ainda tocando violão em cantinas paulistanas.
FRAGMENTOS DE UM DISCURSO AMOROSO   
(Roland Barthes):  A necessidade desse livro se apoia na seguinte consideração: o discurso amoroso é hoje em dia de uma extrema solidão.

“Encontro pela vida milhões de corpos; desses milhões posso desejar centenas; mas dessas centenas, amo apenas um. O outro pelo qual estou apaixonado me designa e especialidade do meu desejo. Esta escolha, tão rigorosa que só retém o Único, estabelece, por assim dizer, a diferença entre a transferência analítica e a transferência amorosa; uma é universal, a outra é específica. Foram precisos muitos acasos, muitas coincidências surpreendentes (e talvez muitas procuras), para que eu encontre a Imagem que, entre mil, convém ao meu desejo. Eis o grande enigma do qual nunca terei a solução: por que desejo esse? Por que o desejo por tanto tempo, languidamente? É ele inteiro que desejo (uma silhueta, uma forma, uma aparência)? Ou apenas uma parte desse corpo? E, nesse caso, o que, nesse corpo amado, tem a tendência de fetiche em mim? Que porção, talvez incrivelmente pequena, que acidente? O corte de uma unha, um dente um pouquinho quebrado obliquamente, uma mecha, uma maneira de fumar afastando os dedos para falar? De todos esses relevos do corpo tenho vontade de dizer que são adoráveis. Adorável quer dizer: este é o meu desejo, tanto que único: “É isso! Exatamente isso (que amo)!” No entanto, quanto mais experimento a especialidade do meu desejo, menos posso nomeá-la; à precisão do alvo corresponde um estremecimento do nome; o próprio do desejo não pode produzir um impróprio do enunciado: deste fracasso da linguagem, só resta um vestígio: a palavra “adorável” (a boa tradução de “adorável” seria ipse latino: é ele, ele mesmo em pessoa)."



"Eu sofro a tua ausência te quero sonho com você para você contra você me responde teu nome é um perfume espalhado."



"Ninguém tem vontade de falar de amor, se não for para alguém."


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"Como termina um amor? - O quê? Termina? Em suma ninguém - exceto os outros - nunca sabe disso; uma espécie de inocência mascara o fim dessa coisa concebida, afirmada, vivida como se fosse eterna. O que quer que se torne objeto amado, quer ele desapareça ou passe à região da Amizade, de qualquer maneira, eu não o vejo nem mesmo se dissipar: o amor que termina se afasta para um outro mundo como uma nave espacial que deixa de piscar: o ser amado ressoava como um clamor, de repente ei-lo sem brilho (o outro nunca desaparece quando e como se esperava). Esse fenômeno resulta de uma imposição do discurso amoroso: eu mesmo (sujeito enamorado) não posso construir até o fim de minha história de amor: sou o poeta (o recitante apenas do começo); o final dessa história, assim como a minha própria morte, pertence aos outros; eles que escrevam romance, narrativa exterior, mítica." 


Ajo sempre – teimo em agir, não importa o que me digam nem quais sejam meus próprios desencorajamentos, como se o amor pudesse um dia me fazer transbordar, como se o Bem Supremo fosse possível. Daí essa curiosa dialética que permite que o amor absoluto suceda sem embaraço ao amor absoluto, como se, através do amor, eu tivesse acesso a uma outra lógica (o absoluto não sendo obrigatoriamente o único), a um outro tempo (de amor em amor vivo instantes verticais), a uma outra música (esse som sem memória, sem construção, esquecido daquilo que o precede e o segue, esse som é em si mesmo musical). Procuro, começo, tento,

vou mais longe, corro, mas nunca sei que acabo: não se diz da Fênix que ela morre, mas apenas que renasce (posso então renascer sem morrer?)

Werther

A errância amorosa tem seus lados cômicos: parece um balé, mais ou menos rápido conforme a velocidade do sujeito infiel; mas é Wagner também uma grande ópera. O Holandês maldito é condenado a errar sobre o mar até encontrar uma mulher de uma fidelidade eterna. Sou esse Holandês Voador; não posso parar de errar (de amar) por causa de uma antiga marca que me destinou, nos tempos remotos da minha infância profunda, ao deus Imaginário, que me afligiu de uma compulsão de fala que me leva a dizer “Eu te amo”, de escala em escala, até que qualquer outro escolha essa fala e a devolva a mim; mas ninguém pode assumir a resposta impossível (que completa de uma forma insustentável), e a errância continua. 

Benjamin Constant






Ao longo de uma vida, todos os “fracassos” de amor se parecem (pudera: procedem todos da mesma falha). X... e Y... não souberam (puderam, quiseram) responder ao meu “pedido”, aderir à minha “verdade”; não mexeram uma vírgula do seu sistema; para mim, um não fez senão repetir o outro. E, entretanto, X... e Y... são incomparáveis; é da diferença entre eles, modelo de uma
diferença infinitamente reconduzida, que retiro a energia para Benjamin recomeçar. A “mutabilidade perpétua” (in inconstantia constans)

Constant que me anima, longe de esmagar todos aqueles que encontro sob um mesmo tipo funcional (não responder ao meu pedido), desloca com violência seu falso ponto em comum: a errância não iguala, faz mudar de cor: o que volta é a nuance. É assim que vou até o fim da tapeçaria, de uma nuance a outra (a nuance é esse último estado da cor que não pode ser nomeado; a nuance é o Intratável).
 R.S.B.: conversa.
 

Roland Barthes
Fragmentos de um discurso amoroso
Tradução: Hortênsia dos Santos
Francisco Alves Editora
Rio de Janeiro, 1989

"(...) Foram precisos muitos acasos, muitas coincidências surpreendentes (e talvez muitas procuras), para que eu encontre a Imagem que, entre mil, convém ao meu desejo. Eis um grande enigma do qual nunca terei a solução: por que desejo Esse? Por que o desejo por tanto tempo, languidamente?... "


"Tento recordar teu rosto, nome. Curioso, como às vezes nos escapam os traços da pessoa amada. Situo-te num passado já distante. Não te imagino num presente.De ti resta-me o que foste comigo.E foste - me ternura e descoberta do meu corpo, de minhas mãos até então inábeis que ensinaste a acariciar teus cabelos, a sentir teu corpo; e ainda descoberta de que a minha voz tinha um sentido para além de sons mais ou menos indistintos e vagos."

"Ciúme: Sentimento que nasce no amor e que é produzido pelo medo que a pessoa amada prefira um outro."

"Na distância imprecisa, meu amor, ignoramos de nós sequer a latitude.Contudo, provavelmente o mesmo sol cobre nossos corpos ávidos de luz e de acontecer, os mesmo rostos (ou serão outros?) da mesma gente envolvem nossos passos, os mesmos ruídos, o mesmo bombardear de fatos e de idéias, a mesma música flutua em nossos cabelos, o mesmo vento nos impele na busca de horizontes claros e do mar, cheiro de algas penetrante, doçura do pôr do sol e das tempestades na barra."

Vênus e Cupido - Crédito: Reprodução

 "Como serás tu que imagino mais do que recordo – a memória traz consigo também o esquecimento, continuando embora memória de gestos repetidos – com quem te encontras, como pensas, que brisas novas suavizarão teu sangue inquieto.Na distância imprecisa que o tempo traz recordo vagamente teu rosto rude e já marcado, a ternura inconsistente e macia da areia deslizando em nossas mãos."

"Encontro fugidio e breve foi o nosso. Belo também da beleza que permanece na memória para além dos dias. Algures tu és, aqui eu sou.Porque imprecisa, a distância se resolve na certeza vaga de existirmos num como e num onde. Tanto basta. [pergunta ou afirmação?] Não há passos que nos aproximem no impreciso e no vago. O nosso reencontro está só na certeza vaga de existirmos com outros, sob o mesmo sol. Melhor assim."


 "Impuro e desfigurante é o olhar da vontade. Só quando nada cobiçamos, só quando o nosso olhar nada mais é senão pura observação, é que a alma das coisas, a sua beleza, se nos revela."

"De amor não falemos. De que serviria dar nome ao que encerra somente o equívoco? Somos e não somos sós. E depois ser só não é ser só. Não estamos sós. Temo-nos um ao outro na distância e na ausência, que são só acidentes e nada de essencial atingem. Temo-nos no que ficou do fugidio encontro, na ternura renovada que nos inventamos ou recriamos. Ou na lembrança."

"[...] A plenitude é pois uma precipitação: alguma coisa se condensa, abate-se sobre mim, fulmina-me. O que me repleta assim? Uma totalidade? Não. Alguma coisa que, partindo da totalidade, vem a excedê-la: uma totalidade sem resto, uma soma sem exceção, um lugar sem nada ao lado ("minha alma não está apenas repleta, mas transbordante").
[...] Plenitudes: não são ditas - de modo que, falsamente, a relação amorosa parece reduzir-se a um longo lamento. É que, se não traz conseqüências dizer mal a desgraça, em compensação, relativamente à felicidade, pareceria culpável estragar-lhe a expressão: o eu só discorre ferido; quando estou pleno ou me recordo de assim ter estado, a linguagem me parece pusilânime: sou transportado para fora da linguagem, quer dizer, para fora do medíocre, para fora do geral: "Acontece um encontro que é intolerável, por causa da alegria, e algumas vezes o homem fica reduzido a nada; é o que chamo de transporte. O transporte é a alegria da qual não podemos falar."


(Roland Barthes - Fragmentos de um Discurso Amoroso)
Roland Barthes (Cherbourg, 12 de Novembro de 1915 — Paris, 26 de Março de 1980) foi um escritor, sociólogo, crítico literário, semiólogo e filósofo francês.

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