quinta-feira, 17 de julho de 2014

POESIA SEMPRE!

Leia na íntegra o poema ‘As Matinês’ da obra inédita Ode Triste para Amores Inacabados de autoria do poeta e jornalista maranhense Fernando Atallaia 

As matinês

Matinê nas veias e pés descalços
Música verdadeira aos onze anos
Correria de quintais e tramas incólumes
Inocência. Lua entre os girassóis (caídos no futuro em reticências farpadas)
Antes do Cola e do Queimado as mães esperavam pelos dois, ansiosas
Mas a Aristóteles coube o anúncio de ambos serem perfurados pelo gozo
E eis que o amor não consegue a exatidão

Puros como o sol das manhãs virgens
Das não nascidas manhãs
Inimigos que são da noite e do declive
O amor embrenha os jovens nos vulcões dos espelhos
Das revistas
Como atrizes que se doam ao quarto
Firmes na imaginação do macho a lhes espreitar os hormônios 


As Matinês são solitárias
E os jovens de motoca perseguem as donzelas das janelas à portaria
Tentando respirar fundo em suas narinas
Para mais tarde socar o tenro de suas carnes no mel de suas línguas
Mas é assim que o leopardo caminha (...) sem a pressa da raposa angustiada 
Hão de levantar-se e os sofás os escondem sem o intimidar-se
Vem a presa vai a caça
As Matinês tem suas próprias asas tardes e almofadas
São estradas para lindos animais viçosos de alegria
Da rigidez das árvores à memória dos rebentos nem ao relento devem alguma Explicação
Nem à realidade aquilo que lhes é fantasia
Nem à realidade aquilo que lhes é fantasia.




Fernando Atallaia, São José de Ribamar, Janeiro de 1997. 

Um comentário:

  1. Muita linda essa poesia assim como todas as outras. parabens querido, vc é show!!!!
    francy , fã d carteirinha

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