quinta-feira, 12 de abril de 2012

 

Provarei que sou inocente, diz Demóstenes no Senado



BRASÍLIA - O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) apareceu de surpresa na reunião do Conselho de Ética na manhã desta quinta-feira, 12, que define o relator do processo de quebra de decoro parlamentar contra ele, pela denúncia de envolvimento com o empresário do ramo de jogos ilegais Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Assim que foi aberta a sessão, o senador pediu a palavra para dizer que provará sua 'inocência' durante o processo, mas pediu respeito ao regimento da Casa.

Demóstenes alegou que a escolha do presidente da comissão, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), poderia ser questionada como irregular porque não houve, segundo o parlamentar, eleição em sessão secreta para o cargo. O senador goiano, porém, disse que não alegará qualquer nulidade do processo.

'Pode parecer uma filigrana', afirmou. 'Eu quero provar a minha inocência é no mérito, até agora não tive a oportunidade de me defender. Provarei que sou inocente', afirmou.
Eleito nessa terça-feira, 10, para a presidência do Conselho de Ética, Valadares foi escolhido por ser o senador mais antigo do colegiado. Tem 69 anos, completos na última sexta-feira. Mas, segundo


Demóstenes Torres:senador está enrolado até o pescoço com denúncias de corrupção


Demóstenes, ele só poderia permanecer 'interinamente' no cargo, apenas para presidir, em até cinco dias, a eleição do presidente. O prazo, observou, venceria na próxima terça-feira, 17.
'O titular mais idoso somente assume a presidência interinamente para presidir a sessão de eleição da presidência', afirmou. 'Neste caso, não há outra alternativa a não ser a eleição para presidente', disse o senador goiano, dizendo que o próprio Valadares poderia, sim, ser o presidente eleito para conduzir seu processo de quebra de decoro.

Demóstenes informou que deixaria em seguida a reunião para não constranger a comissão, e que se considerava notificado desde essa quarta, 11, do prazo para responder à representação do PSOL. Ele considerou adequado ter os 10 dias para fazer sua defesa, inicialmente por escrito, e depois diretamente aos integrantes do conselho, respondendo a perguntas.

No momento em que Demóstenes deixava a sala, o presidente do conselho pediu que ele ficasse para ouvi-lo. Valadares disse que sua escolha está amparada legalmente, diante da dificuldade do PMDB, partido a quem caberia a indicação, encontrar um nome. 'Todos os atos praticados por mim foram inteiramente observando os tramites constitucionais e legais', afirmou.

Demóstenes deixou a sala em seguida, sem falar com a imprensa. No momento, os senadores do conselho discutem se devem ou não eleger o presidente do conselho. O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), disse que apoia a continuidade de Valadares no cargo.

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