terça-feira, 15 de novembro de 2011

Da obra Safanismo(Fernando Atallaia- Estudos Sócio-Comportamentais e Discussões em torno do Universo Feminino, 2012, São Luís-MA, Brasil, Editora Baluarte, Edição Limitada )

O Caso Norma Diniz
       
Norma era uma garota adolescente que aos 17 anos havia descoberto o prazer do sexo a partir de suas experiências individuais e solitárias. A forma? Masturbando-se. Anos depois, já do alto de seus 26 anos, a menina que aos outros parecia sem graça e insossa, definição utilizada por um ex- namorado, tinha se tornado exigente e impunha respeito quando o assunto era, por exemplo, se chegar ao orgasmo. ‘Quem já experimentou orgasmos múltiplos não pode contentar-se com as migalhas de um gozo forçado ’, dizia. E com razão.
  
Tempestuosidade, desejo, sofreguidão,  excitação e luxúria eram palavras bem conhecidas do vocabulário e dicionário pessoal de Norma, que não raro, lhe batiam à porta em forma de dúvidas, questionamentos e obviamente descontentamentos sempre presentes. ‘’Sei o que é sentir bem fundo todos os espaços e ângulos da minha xana, minha boca arde’’, alegrava-se a hoje mulher que optara pela solidão como opção conjugal. Norma era solteira havia seis anos e costumava sair à noite em busca de companhia. ’Algum problema? Você quer trepar comigo ou me olha assim pensando que eu seria uma ótima esposa? Para o caralho, fodo com você e te esqueço’’, este era o manual da menina que de pernas torneadas, saia pelas madrugadas adentro reclamando sua tara.
     
 Norma, assim como a grande maioria das mulheres que souberam dá vazão e voz a sua libido, tornou-se representante de uma categoria feminina composta por moças bem comportadas, que ao toque dos poros, se lançam a todo vapor em prol de sua liberdade existencial. As mulheres entendem o espaço da sexualidade no ideal da libertação (caem o domínio e a opressão masculina!) nunca a partir da relação em si. Essa é a mulher do novo tempo. A nova mulher desse novo tempo. Essa diferenciação de foco acaba por ir de encontro aos mitos sociais-postos sobre a mesa-, da educação feminina embasada na cultura católico-cristã, que entre outras determinações, traça o comportamento das mulheres no entre ‘Quatro Paredes’ e na configuração do Lar enquanto reduto primeiro de realização; no ambiente do matrimônio e na pragmática do casal.

O esforço para que tal ambiência resista nos dias de hoje não tem sido suficiente para impedir que mulheres como Norma saiam às ruas procurando o espaço que lhes pertence naquela ‘costela’ de uma noite só. ‘’Sozinha eu? Nem sozinha nem solteira, no ataque. E você que escreve sobre mim, acha que pode me foder com palavras? Seu filho da puta, me faça ser outra mulher além da santa e dos mantos, quero você aqui comigo, gosta de vinho seco, tinto, encorpado? Estou sozinha e quero você aqui de joelhos sugando minha Inteligência e lambendo meus pés’, este era o recado da menina que havia crescido nas entrelinhas de suas buscas e memórias. Norma ainda continuaria sua peregrinação pelos becos, ruelas e avenidas de São José de Ribamar por décadas. Seu planejamento era atingir o desvão e a inconstância que os encontros fortuitos poderiam lhe oferecer. Não sabendo ela, que o Amor oferece o mesmo!

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